A redução de vendas durante uma paralisação não revela, sozinha, qual resultado teria existido sem o evento. É preciso examinar demanda, capacidade, custos e eventual recuperação posterior dos pedidos. Os quesitos podem ajudar a testar essas hipóteses em vez de pressupor a conclusão.
O estudo utiliza seis meses fictícios de uma operação. Não calcula uma indenização devida. As contas mostram como perguntas diferentes alteram a informação necessária e o alcance do resultado.
Série recebida e período examinado
| Mês | Receita | Custo variável | Custo fixo |
|---|---|---|---|
| Janeiro | R$ 500.000 | R$ 300.000 | R$ 100.000 |
| Fevereiro | R$ 520.000 | R$ 312.000 | R$ 100.000 |
| Março | R$ 480.000 | R$ 288.000 | R$ 100.000 |
| Abril | R$ 300.000 | R$ 180.000 | R$ 100.000 |
| Maio | R$ 320.000 | R$ 192.000 | R$ 100.000 |
| Junho | R$ 500.000 | R$ 300.000 | R$ 100.000 |
Abril e maio são os meses de redução examinados. O exercício informa capacidade equivalente a R$ 550.000 mensais, sob preços e composição de vendas constantes. Essa capacidade não prova que haveria demanda para ocupação integral.
Quesito sobre a receita que seria esperada
“Queira indicar quais dados sustentam a receita esperada de abril e maio, distinguindo média histórica, pedidos e comportamento da demanda no período.”
A média dos três meses anteriores é R$ 500.000. A hipótese A mantém esse valor para cada mês examinado. A hipótese B considera uma redução independente de demanda de 10%, levando a referência a R$ 450.000 por mês.
A receita observada de abril e maio soma R$ 620.000. A diferença para A é R$ 380.000. A diferença para B é R$ 280.000. A escolha entre essas hipóteses depende de evidência, como pedidos, cancelamentos, preços e informações comparáveis de mercado.
Quesito sobre custos evitados
“Queira demonstrar quais custos variam com a receita e quais permaneceram, indicando se a margem utilizada é compatível com a composição das vendas.”
No conjunto fictício, o custo variável representa 60% da receita. A margem de contribuição é de 40%. Os custos fixos permanecem em R$ 100.000 por mês, sem economia adicional informada. Assim, a diferença de contribuição é R$ 152.000 em A e R$ 112.000 em B.
Não seria correto apresentar toda a diferença de receita como lucro perdido. Também seria inadequado deduzir novamente os custos fixos integrais da diferença entre os dois cenários, quando eles são iguais e já se compensam na comparação. Outra premissa de custos exigiria nova memória.
Quesito sobre pedidos recuperados
“Queira identificar se vendas realizadas depois do período correspondem a pedidos adiados de abril e maio, com vínculo por pedido e tratamento dos custos associados.”
O exercício informa R$ 40.000 na receita de junho vinculados a pedidos adiados. Essa informação é uma premissa de teste que exigiria comprovação documental em um caso real. Mantida a mesma margem, esses pedidos representam R$ 16.000 de contribuição recuperada.
| Hipótese | Diferença antes da recuperação | Contribuição recuperada | Diferença após a recuperação |
|---|---|---|---|
| A, referência histórica | R$ 152.000 | R$ 16.000 | R$ 136.000 |
| B, demanda 10% menor | R$ 112.000 | R$ 16.000 | R$ 96.000 |
Junho não foi incluído inicialmente na diferença de abril e maio. Por isso, a recuperação é considerada nessa etapa específica. Se o período comparado já incorporasse integralmente o efeito de junho, seria necessário impedir uma segunda dedução dos mesmos pedidos.
Quesito sobre causas concorrentes
“Queira separar a restrição operacional examinada de mudanças de demanda, preços, composição de vendas e outras limitações, indicando quais efeitos puderam ser individualizados.”
Essa pergunta evita atribuir toda a diferença ao mesmo evento. O histórico numérico pode sustentar uma hipótese, mas não demonstra sozinho o vínculo causal nem a extensão da responsabilidade. O relatório deve indicar quais dados permitiram distinguir as causas.
Arquivos e uso da oficina
O pacote contém a série, as duas hipóteses e as premissas. Reproduza primeiro a receita dos meses examinados, depois a margem e a recuperação. A diferença de R$ 40.000 entre os resultados finais de A e B mostra a sensibilidade à hipótese de demanda.
As normas de perícia contábil do CFC são referência para o trabalho. A Costa Nova Associados pode desenvolver quesitos e revisar essas bases na assistência técnica contábil, preservando a distinção entre cálculo, hipótese e evidência.
