Uma venda de equipamento entre empresas do mesmo grupo pode gerar lucro nos livros da vendedora sem aumentar o valor do ativo na consolidação. O ajuste não termina na data da transferência: a depreciação posterior também precisa ser conciliada. Este laboratório acompanha três anos completos.
As empresas e os documentos são fictícios. A controladora vende à controlada integral um equipamento em primeiro de janeiro por R$ 180.000, recebidos no ato. Seu valor contábil no grupo era R$ 120.000, com três anos de vida remanescente e residual zero. Ambas usam depreciação linear e não há mudança de uso, perda ou venda externa durante os três anos.
O recorte mostra valores antes dos efeitos tributários, que não foram calculados. Não representa demonstração consolidada completa. Em uma aplicação real, as diferenças fiscais derivadas da eliminação exigem tratamento próprio.
Duas bases para o mesmo consumo
Na vendedora, a transferência gera ganho de R$ 60.000. Na compradora, a base de R$ 180.000 gera depreciação anual de R$ 60.000. Para o grupo, a base de R$ 120.000 corresponde a R$ 40.000 anuais. O excesso de depreciação dos livros individuais é R$ 20.000 por ano.
| Ano encerrado | Equipamento nos livros da compradora | Lucro interno ainda no ativo | Equipamento consolidado |
|---|---|---|---|
| 1 | 120.000 | 40.000 | 80.000 |
| 2 | 60.000 | 20.000 | 40.000 |
| 3 | 0 | 0 | 0 |
Na transferência, são eliminados os R$ 60.000 de ganho interno e do valor do ativo. A cada ano, a correção do excesso de depreciação reduz em R$ 20.000 a diferença ainda incorporada ao equipamento.
Resultado anual e transporte da eliminação
No ano 1, os livros somados mostram ganho de R$ 60.000 e despesa de R$ 60.000, efeito líquido zero. A consolidação retira o ganho e reduz a despesa em R$ 20.000, chegando ao consumo de R$ 40.000 do grupo.
Nos anos 2 e 3 não existe novo ganho de venda nos livros individuais. Há somente despesa de R$ 60.000 por ano, corrigida para R$ 40.000. O saldo anterior da eliminação deve ser transportado na memória patrimonial; repetir o ganho de R$ 60.000 como ajuste da despesa corrente criaria uma nova distorção.
O resultado acumulado do recorte consolidado é despesa de R$ 40.000, R$ 80.000 e R$ 120.000 nos três cortes. Ao final, o efeito acumulado dos livros somados também chega a despesa de R$ 120.000, mas com distribuição temporal diferente.
O pacote testa bases, consumo anual, saldo de lucro interno e ponte de resultado. O item B86 do CPC 36, fonte oficial fundamenta a eliminação dos resultados internos nos ativos. A assistência técnica contábil deve preservar a aquisição original, transferência, cadastro do ativo e histórico dos ajustes.
