Alterar a moeda funcional não é escolher uma cotação mais conveniente para apresentar o resultado. Este laboratório parte de uma mudança econômica já demonstrada e acompanha a conversão inicial, a nova base do equipamento e os efeitos cambiais posteriores sobre caixa e dívida.
A entidade e as taxas são fictícias. Na data da mudança, uma alteração duradoura das condições que determinam preços, recebimentos e gastos fundamenta a passagem de reais para dólares. Essa conclusão é premissa do exercício, não resultado de uma fórmula. Não há hiperinflação, restrição de conversibilidade, outros resultados abrangentes acumulados ou erro anterior.
Conversão na data da mudança
A taxa é R$ 5 por dólar. Todos os saldos são convertidos nessa data. O equipamento tem custo de R$ 100.000 e depreciação acumulada de R$ 20.000, portanto valor líquido de R$ 80.000. Sua vida útil remanescente é quatro anos, com residual zero e método linear.
| Rubrica | Reais | Dólares na mudança |
|---|---|---|
| Caixa | 10.000 | 2.000 |
| Equipamento líquido | 80.000 | 16.000 |
| Dívida | 40.000 | 8.000 |
| Patrimônio | 50.000 | 10.000 |
O bruto do equipamento passa a 20.000 dólares e a depreciação acumulada a 4.000 dólares. Essa base convertida será histórica para a mensuração subsequente. O patrimônio fecha em 18.000 de ativos menos 8.000 de dívida.
Primeiro encerramento posterior
Um ano depois, a taxa é R$ 4 por dólar. Os mesmos R$ 10.000 de caixa valem 2.500 dólares, com ganho cambial de 500. A dívida permanece nominalmente em R$ 40.000 e passa a 10.000 dólares, com perda cambial de 2.000. Não há juros, pagamentos, novos aportes ou demais movimentos neste recorte isolado.
O equipamento registra depreciação de 4.000 dólares e encerra em 12.000. Não se divide novamente sua base histórica em reais pela nova cotação.
| Fechamento em dólares | Valor |
|---|---|
| Caixa | 2.500 |
| Equipamento líquido | 12.000 |
| Ativos | 14.500 |
| Dívida | 10.000 |
| Patrimônio | 4.500 |
O patrimônio inicial de 10.000 menos depreciação de 4.000 e perda cambial líquida de 1.500 explica 4.500. Converter indevidamente o equipamento líquido remanescente de R$ 60.000 pela taxa final produziria 15.000 dólares, excesso de 3.000 no ativo.
Os arquivos conciliam abertura, base histórica, movimentos e fechamento. Os itens 35 a 37 do CPC 02 determinam tratamento prospectivo da mudança. Os itens 23 e 28 orientam o recorte monetário posterior. A perícia contábil deve distinguir esse evento da conversão para outra moeda de apresentação, que envolve procedimentos diferentes.
