Um gasto pode reduzir o resultado sem aumentar o progresso de um contrato. Este laboratório de perícia contábil mostra como uma revisão de custos esperados e um desperdício anormal afetam a receita por progresso de maneiras diferentes.
O contrato fictício tem preço fixo de R$ 300.000 e uma obrigação única satisfeita ao longo do tempo. O cliente controla o ativo enquanto ele é construído, condição expressamente assumida. O método de custos produtivos representa fielmente a transferência, e o progresso pode ser mensurado com segurança. Não há bens distintos entregues antecipadamente, tributos, financiamento, alteração de escopo ou preço variável.
Três cortes da mesma obrigação
No primeiro corte, foram consumidos R$ 36.000 de recursos produtivos e o total estimado era R$ 180.000. O progresso de 20% gera receita acumulada de R$ 60.000. No segundo, os custos produtivos acumulados chegam a R$ 90.000, mas nova informação eleva a estimativa total produtiva para R$ 225.000.
O progresso revisado é 40%, com receita acumulada de R$ 120.000. Os R$ 60.000 já reconhecidos são deduzidos para encontrar a receita do segundo período. A revisão decorre de nova estimativa, sem evidência de erro no primeiro encerramento.
| Corte | Custo produtivo acumulado | Total produtivo estimado | Progresso | Receita acumulada |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 36.000 | 180.000 | 20% | 60.000 |
| 2 | 90.000 | 225.000 | 40% | 120.000 |
| 3, conclusão | 225.000 | 225.000 | 100% | 300.000 |
Conservar o orçamento antigo no segundo corte levaria a 50% e R$ 150.000 de receita acumulada. A diferença de R$ 30.000 não decorre de pagamento ou medição faturada, mas da estimativa inadequadamente preservada.
Desperdício não produz receita
No segundo período também ocorre desperdício anormal de R$ 15.000, inesperado e não refletido no preço. Ele não contribui para a transferência ao cliente, não gera recurso para desempenho futuro e é despesa imediata. Fica fora tanto dos custos produtivos realizados quanto da base produtiva total usada na medição.
Incluir o desperdício nos dois lados da fração daria R$ 105.000 divididos por R$ 240.000, ou 43,75%. Isso geraria R$ 131.250 de receita acumulada, R$ 11.250 acima dos R$ 120.000 corretos nesta hipótese. Excluir o gasto do progresso não significa excluir sua despesa.
Resultado por período
| Período | Receita | Custo produtivo consumido | Desperdício | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 60.000 | 36.000 | 0 | Lucro de 24.000 |
| 2 | 60.000 | 54.000 | 15.000 | Prejuízo de 9.000 |
| 3 | 180.000 | 135.000 | 0 | Lucro de 45.000 |
Ao final, receita de R$ 300.000 menos custo produtivo de R$ 225.000 e desperdício de R$ 15.000 produz lucro de R$ 60.000. A memória não presume que receita acumulada seja recebível: cobrança, exigibilidade e caixa exigiriam controles adicionais.
O pacote inclui estimativas por corte, gastos, resultados e duas memórias incorretas. O verificador testa progresso, receita acumulada, diferenças entre períodos e lucro final.
Os itens 35, 39 a 43, 98 e B18 a B19 do CPC 47 orientam o recorte. A perícia contábil deve ligar cada revisão orçamentária à evidência disponível no respectivo encerramento.
