Uma perda calculada corretamente para a unidade geradora de caixa ainda pode ser distribuída incorretamente entre seus ativos. O problema aparece quando uma divisão proporcional reduz um bem abaixo do limite individual aplicável.
O laboratório usa uma unidade fictícia com ágio de R$ 20.000,00, máquina A de R$ 60.000,00 e máquina B de R$ 40.000,00. Seu valor contábil total é R$ 120.000,00 e o valor recuperável é R$ 75.000,00. A perda a distribuir é de R$ 45.000,00.
A ordem altera a memória
Primeiro, a perda reduz integralmente os R$ 20.000,00 de ágio. Sobram R$ 25.000,00 para as máquinas, cujos valores contábeis guardam proporção de 60% e 40%. Uma primeira divisão atribuiria R$ 15.000,00 à máquina A e R$ 10.000,00 à máquina B.
Entretanto, o exemplo pressupõe um limite individual de R$ 50.000,00 para A e R$ 10.000,00 para B, sustentados pelas premissas de mensuração do exercício. A máquina A só pode absorver R$ 10.000,00. Os R$ 5.000,00 restantes são redistribuídos para B.
| Componente | Valor anterior | Perda distribuída | Valor posterior |
|---|---|---|---|
| Ágio | 20.000,00 | 20.000,00 | Zero |
| Máquina A | 60.000,00 | 10.000,00 | 50.000,00 |
| Máquina B | 40.000,00 | 15.000,00 | 25.000,00 |
| Total | 120.000,00 | 45.000,00 | 75.000,00 |
A divisão proporcional sem limite também terminaria em R$ 75.000,00, mas apresentaria A por R$ 45.000,00 e B por R$ 30.000,00. O total correto esconderia uma alocação inadequada de R$ 5.000,00 entre os bens.
De onde vêm os limites
O CPC 01, itens 104 e 105 estabelece a ordem de alocação e os limites individuais, considerando valor justo líquido de despesas de alienação, valor em uso quando determinável e zero. Os R$ 50.000,00 e R$ 10.000,00 são entradas fictícias, não avaliações feitas pela Costa Nova.
O perito contábil deve conferir a composição da unidade, a alocação do ágio, o cadastro dos ativos e os documentos de cada limite. O fato de uma célula conter um valor não demonstra que ele possa ser mensurado individualmente.
Reproduzir antes de concluir
O pacote traz componentes, limites, perda global, primeira distribuição e resultado final. O verificador aplica o ágio primeiro, limita a parcela de A e redistribui o excedente. Confere a perda total, cada limite e o encerramento da unidade. Um cenário de teste detecta quando os limites informados não permitem absorver toda a perda, em vez de forçar valores negativos.
O exercício isola a distribuição de uma perda já determinada. Não estima fluxo de caixa, taxa de desconto, valor recuperável ou efeitos fiscais. Também não abrange ativos corporativos compartilhados e múltiplas unidades. A depreciação dos períodos seguintes exige atualização própria após a alteração dos saldos.
Veja a atuação do perito contábil e da assistência técnica contábil na conferência de estimativas. A conclusão deve mostrar tanto o fechamento global quanto os testes individuais que sustentam a distribuição.
