Recebimentos em espécie exigem controle próprio de caixa. A ausência de crédito bancário não comprova que o dinheiro não tenha sido recebido, e um depósito posterior pode representar valores já registrados anteriormente. A perícia contábil deve ligar recibos, aplicações, depósitos e saldo físico sem duplicar entradas.
Um caixa que fecha aritmeticamente não demonstra a autenticidade de todos os documentos. A confiabilidade depende da origem dos registros, de sua continuidade e de evidências que permitam confirmar os eventos.
Documentos e unidade de controle
O perito contábil deve reunir livro ou planilha de caixa, recibos, comprovantes de despesas, depósitos, repasses e contagens documentadas. Identificação do pagador, data, finalidade e beneficiário são essenciais para associar o numerário à gestão examinada.
O CPC, art. 551, orienta a apresentação de receitas, aplicação das despesas e investimentos nas contas. O numerário exige a mesma discriminação, ainda que não exista um extrato bancário para cada etapa.
Exemplo de caixa e depósito interno
Na hipótese fictícia, o caixa inicial é de R$ 2.000,00 e os recebimentos em espécie somam R$ 12.000,00. São pagas despesas autorizadas de R$ 3.500,00, depositados R$ 8.000,00 na conta da própria gestão e repassados diretamente R$ 1.000,00 ao beneficiário.
| Etapa | Operação | Valor |
|---|---|---|
| Recursos disponíveis em caixa | 2.000 + 12.000 | R$ 14.000,00 |
| Após despesas | 14.000 − 3.500 | R$ 10.500,00 |
| Após depósito bancário | 10.500 − 8.000 | R$ 2.500,00 |
| Caixa após repasse | 2.500 − 1.000 | R$ 1.500,00 |
No consolidado, R$ 8.000,00 depositados não são nova receita. A soma de banco e caixa é R$ 8.000,00 + R$ 1.500,00 = R$ 9.500,00, que também corresponde a R$ 14.000,00 menos R$ 3.500,00 de despesas e R$ 1.000,00 de repasse.
Diferença de caixa e limites da prova
Se uma contagem válida na mesma data identificasse apenas R$ 1.200,00, haveria diferença de R$ 300,00 a investigar. Esse valor não demonstraria, isoladamente, desvio: seria necessário conferir datas, recibos, despesas não lançadas e eventuais erros de registro.
Não é adequado criar uma despesa genérica de ajuste para eliminar a diferença. O lançamento deve ser sustentado ou permanecer como item de conciliação. Recibos cancelados e segundas vias também precisam ser identificados para não aumentar artificialmente os recebimentos.
Conclusão técnica
O assistente técnico contábil deve indicar quais saldos foram contados, quais foram documentados e quais foram apenas reconstituídos. A conclusão não pode afirmar verificação física de numerário que não ocorreu.
A Costa Nova Associados estrutura os cálculos judiciais com caixa, banco e transferências internas separados. Na hipótese principal, o caixa remanescente é R$ 1.500,00 e o patrimônio financeiro consolidado é R$ 9.500,00, sem repetição do depósito de R$ 8.000,00.
Exemplo hipotético. A existência e a destinação dos recursos dependem de evidências; o fechamento aritmético não substitui comprovação.
