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Process mining na auditoria: como reconstruir processos e localizar desvios no ERP

Fluxogramas mostram como o processo deveria funcionar. O process mining mostra como ele efetivamente ocorreu. A técnica reconstrói jornadas a partir dos registros de eventos do ERP e de outros sistemas, permitindo comparar o desenho formal com milhares de execuções reais. Para a auditoria, isso revela desvios, atalhos, retrabalho e concentrações que dificilmente aparecem em entrevistas ou amostras pequenas.

Com a expansão da análise de dados e da auditoria digital em 2026, a mineração de processos passou a ocupar um espaço relevante entre os procedimentos capazes de transformar logs operacionais em evidência sobre controles. Seu uso, entretanto, exige qualidade de dados e interpretação contábil: um mapa visual impressionante não substitui a compreensão do evento econômico.

Como funciona

A base mínima normalmente contém três elementos: um identificador do caso, a atividade realizada e a data e hora do evento. No ciclo de compras, o caso pode ser o pedido; as atividades podem incluir requisição, aprovação, emissão, recebimento, lançamento da nota e pagamento. Ao ordenar os eventos, a ferramenta reconstrói cada trajetória.

  • Case ID: identifica a transação ou processo analisado.
  • Atividade: registra a etapa executada.
  • Timestamp: estabelece a sequência e a duração.
  • Atributos adicionais: usuário, empresa, valor, fornecedor, centro de custo, canal e status.

O que a auditoria consegue enxergar

  • pagamentos realizados antes do recebimento ou da aprovação;
  • etapas puladas ou executadas fora de ordem;
  • aprovação e execução pelo mesmo usuário;
  • reaberturas, cancelamentos e retrabalho excessivo;
  • processos concluídos em tempo incompatível com a revisão esperada;
  • fornecedores, unidades ou equipes com rotas atípicas;
  • lançamentos feitos após o fechamento e depois revertidos;
  • concentração de exceções em determinados perfis de acesso.

Conformidade versus descoberta

Há duas abordagens principais. Na verificação de conformidade, a equipe define o fluxo esperado e mede as divergências. Na descoberta, a ferramenta constrói o mapa sem impor um modelo anterior. A primeira é útil para testar política; a segunda ajuda a localizar variantes que a organização talvez desconheça.

Em ambos os casos, o resultado precisa ser segmentado por materialidade e risco. Um desvio frequente de baixo impacto pode representar ineficiência. Um único fluxo incomum, com alto valor e quebra de segregação, pode exigir investigação imediata.

A preparação da base é decisiva

ERPs guardam eventos em tabelas diferentes e nem sempre utilizam a mesma chave. Cancelamentos podem apagar o estado anterior; fusos e horários podem divergir; atividades automáticas podem parecer ações humanas. A auditoria deve documentar o modelo de dados e reconciliar a população antes de interpretar o mapa.

  • quais sistemas alimentam o processo;
  • qual evento marca o início e o fim;
  • como pedidos, notas e pagamentos são relacionados;
  • se os horários estão no mesmo fuso;
  • como exclusões e reversões são registradas;
  • quais atividades são automáticas;
  • se a extração inclui todas as empresas e períodos.

Do desvio à investigação

O process mining identifica onde olhar. Para concluir, o auditor precisa obter documentos, entrevistar responsáveis, verificar permissões, rastrear pagamentos e quantificar efeitos. A rota “nota antes do pedido” pode decorrer de emergência legítima, falha de parametrização ou contratação direcionada. O mapa não decide a causa.

Aplicações em perícia contábil

Em litígios, a técnica pode reconstruir cronologia de aprovações, demonstrar quando uma alteração ocorreu, identificar o usuário que executou cada etapa e comparar o procedimento contestado com o padrão histórico. Isso é útil em prestação de contas, contratos, compras, estoque, faturamento, reembolsos e investigação de fraude.

A apresentação pericial deve ser acompanhada de tabela de eventos e critérios reproduzíveis. Gráficos ajudam a explicar, mas a conclusão precisa permanecer ligada aos registros originais e à documentação do caso.

Mineração de processos não substitui o fluxograma. Ela testa se o processo real respeitou o desenho e revela as variantes que o desenho não previu.

Roteiro de implementação

  1. escolher processo com risco e dados disponíveis;
  2. definir questão de auditoria;
  3. mapear sistemas e chaves;
  4. extrair e reconciliar eventos;
  5. construir fluxo esperado e variantes;
  6. priorizar desvios por valor e controle;
  7. investigar evidências subjacentes;
  8. monitorar correções e reincidência.

Conclusão

O process mining amplia a visão da auditoria ao transformar logs em uma representação objetiva do processo executado. Seu valor surge quando o mapa é reconciliado, interpretado e convertido em testes sobre controle, causa e consequência financeira.

A Costa Nova Associados utiliza análise de dados e reconstrução de fluxos em auditorias forenses e perícias contábeis. Solicite uma avaliação.

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