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Amostragem em auditoria: como selecionar, testar e projetar resultados para a população

Autoria editorial: Vinícius Costa

A amostragem permite obter conclusão sobre uma população examinando parte de seus itens. Para isso, todos os elementos precisam ter chance de seleção compatível com o objetivo, e o auditor deve controlar risco de que a amostra não represente o universo.

Regra essencial

A amostra começa pela definição da população e do objetivo, não pela escolha dos documentos mais fáceis. Uma seleção tendenciosa não se torna representativa porque possui muitos itens.

Quando utilizar amostragem?

Ela pode ser aplicada a testes de controles e testes de detalhes quando não é necessário ou eficiente examinar 100% da população. Análise de dados integral pode localizar exceções, mas documentos e atributos ainda podem ser testados por amostra.

Defina objetivo, população e unidade

  • objetivo: qual atributo ou distorção será testado;
  • população: universo completo e reconciliado;
  • unidade: pagamento, nota, linha, saldo ou documento;
  • período: datas abrangidas;
  • característica: aprovação, valor, existência ou exatidão.

Se a população exclui transações manuais ou determinado mês, a conclusão não pode ser projetada para o universo completo.

Risco de amostragem

É o risco de a conclusão da amostra diferir da que seria obtida examinando toda a população. Tamanho, método e tolerância respondem a esse risco. Existe também risco não relacionado à amostragem, como aplicar procedimento errado ou interpretar evidência incorretamente.

Seleção estatística e não estatística

A seleção estatística usa aleatoriedade e teoria de probabilidade. A não estatística utiliza julgamento, mas deve evitar viés e oferecer oportunidade de seleção à população. Em ambas, objetivo e avaliação precisam ser documentados.

Método Uso Cuidado
Aleatória Representação do universo Base completa e números únicos
Sistemática Intervalo constante Evitar padrão periódico
Monetária Itens com maior valor têm maior chance Tratar saldos negativos e zero
Casual Não estatística Evitar escolha consciente ou previsível

Estratificação e itens específicos

Itens de alto valor, relacionados, incomuns ou de risco podem ser testados 100%. O restante forma população amostral. Resultados de itens específicos não devem ser projetados automaticamente para a parte não testada.

Tamanho da amostra

É influenciado por risco, erro tolerável, erro esperado, confiança em controles, população e estratificação. Quanto menor a tolerância e maior o erro esperado, maior tende a ser a amostra.

Execução e substituição

Se um item não pode ser testado, o auditor busca evidência alternativa. Substituí-lo por outro sem compreender a razão pode ocultar exceção. Documento cancelado, ausente ou inacessível precisa ser tratado conforme sua natureza.

Exceções em testes de controles

A taxa observada é comparada à tolerável. O auditor investiga causa, período, responsável e possibilidade de desvio sistêmico. Uma única exceção em controle mensal pode ser mais relevante que várias em controle diário.

Distorções em testes de detalhes

As distorções são projetadas para a população, acrescidas de anomalias avaliadas separadamente. O auditor considera risco de amostragem e compara com tolerância. A projeção não é o ajuste contábil automático, mas evidência para avaliar a população.

Anomalia

Um erro pode ser tratado como anômalo somente quando existe alto grau de certeza de que não representa a população. Isso exige procedimentos adicionais e documentação robusta.

Uso de análise de dados

Ferramentas podem estratificar, identificar outliers e testar regras em 100%. Ainda assim, completude da base, lógica e falsos positivos precisam ser avaliados. Uma seleção direcionada por risco responde aos itens indicados, mas não substitui amostra representativa para conclusão sobre o restante.

Erros recorrentes

  • não reconciliar a população;
  • escolher itens convenientes;
  • misturar itens direcionados e amostra;
  • não projetar distorções;
  • substituir documentos ausentes;
  • ignorar periodicidade;
  • usar amostra do ano anterior;
  • concluir sobre universo diferente;
  • não investigar causa das exceções.

Perguntas frequentes

Amostra maior é sempre melhor?

Não se a população ou o procedimento forem inadequados. Qualidade do desenho é fundamental.

Testar 100% elimina risco?

Elimina o risco de seleção para aquela regra, mas não riscos de base incompleta, procedimento inadequado ou julgamento.

Itens de alto valor fazem parte da projeção?

Quando testados especificamente, normalmente são avaliados separadamente da população amostrada.

Fonte técnica

Conteúdo informativo. O desenho da amostra é julgamento do auditor conforme risco e objetivo.

Este conteúdo se relaciona ao seu processo?

Uma análise técnica precisa considerar as decisões, datas, documentos e particularidades do caso concreto.

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