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Auditoria de passivos antes da renegociação: a empresa sabe quanto realmente deve?

Autoria editorial: Vinícius Costa

A auditoria de passivos para renegociação começa antes da comparação de taxas ou do pedido de prazo. É necessário conferir quais obrigações existem, quem pode cobrá-las, quanto já foi pago e como os encargos foram incorporados ao saldo. Negociar um total sem essa reconstrução pode perpetuar uma divergência.

O indicador da Serasa Experian para julho de 2026 registrou R$ 238,6 bilhões em dívidas inadimplidas de empresas. O cenário dá relevância ao exame, mas não permite presumir erro ou irregularidade nos contratos de uma empresa específica.

Faça o inventário das obrigações

Organize as dívidas por credor, instrumento, garantia, vencimento e situação. Separe saldo contábil, saldo exigido e valor confirmado. Inclua contratos, aditivos, cessões comunicadas, demonstrativos, pagamentos e documentos de garantia.

Não conte duas vezes uma mesma obrigação por aparecer em boleto, extrato e contrato. Nas cessões de crédito, preserve o histórico da origem e da titularidade. Nas renegociações anteriores, verifique qual dívida foi substituída e qual parte permaneceu ativa.

A diferença entre o saldo original e o saldo cobrado

A perícia contábil pode reconstruir liberação, encargos, pagamentos, amortizações e renegociações em ordem cronológica. Taxas ou rubricas controvertidas devem ser tratadas conforme o objeto e a orientação jurídica, não excluídas apenas porque aumentam a dívida.

O perito contábil deve conciliar os pagamentos com as datas e os critérios utilizados. Um pagamento apropriado em data diferente, por exemplo, pode alterar encargos posteriores. O relatório precisa demonstrar esse efeito em vez de apresentar apenas uma diferença final.

Exemplo: pagamento que não aparece no demonstrativo

Em hipótese didática, o credor informa saldo de R$ 450 mil. A empresa apresenta comprovante de pagamento de R$ 20 mil posterior à data de emissão desse demonstrativo. A conclusão inicial não deve ser “cobrança indevida de R$ 20 mil”: pode se tratar de documentos com datas-base diferentes.

O trabalho deve trazer o demonstrativo para a mesma data e verificar se o pagamento foi apropriado. Somente depois dessa conciliação é possível afirmar se existe omissão, diferença de critério ou apenas defasagem temporal.

Garantias e vencimentos mudam a decisão

Duas dívidas do mesmo valor podem exigir soluções diferentes quando uma possui recebíveis vinculados, outra tem garantia de bem operacional e outra apresenta vencimento antecipado discutido. A análise jurídica deve acompanhar esses aspectos.

O estudo financeiro deve mostrar o impacto das retenções e da nova estrutura de pagamentos. Uma redução da parcela pode vir acompanhada de aumento de prazo, novos custos ou concentração de pagamentos futuros. A proposta precisa ser comparada como um conjunto de fluxos e obrigações.

O papel do assistente técnico contábil

Em uma controvérsia, o assistente técnico contábil examina os cálculos do credor, prepara quesitos e demonstra divergências documentadas. No apoio extrajudicial, pode elaborar uma memória de negociação, com objeto e limites expressos.

A auditoria do cadastro de passivos também ajuda a identificar controles frágeis: pagamentos sem baixa, renegociações sem encerramento do contrato anterior e encargos lançados sem referência. O trabalho preventivo e a análise pericial se complementam, mas não são documentos intercambiáveis.

O que deve existir antes da assinatura

A empresa deve dispor de um mapa das obrigações, de uma posição conciliada na mesma data-base e de uma avaliação do fluxo proposto. Itens ainda controvertidos precisam estar identificados para a assessoria jurídica avaliar seus efeitos no acordo.

Esse trabalho não pressupõe que toda dívida possa ser reduzida. Seu objetivo é impedir que a urgência elimine a conferência. Prazo maior só melhora a decisão quando o valor e as condições que serão assumidos estão compreendidos e documentados.

Conte com a Costa Nova Associados

A Costa Nova Associados estrutura auditorias de passivos e perícias sobre contratos e saldos, com memórias destinadas à conferência, negociação e assistência técnica. Leia também como um fluxo de caixa de 13 semanas antecipa vencimentos críticos.

Fontes e documentos de referência

Serasa Experian: Indicador de Inadimplência das Empresas, julho/2026, divulgado em 01/09/2026.

Informações verificadas em 05/09/2026. Exemplos hipotéticos. A aplicação ao caso concreto depende dos documentos e critérios pertinentes.

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Uma análise técnica precisa considerar as decisões, datas, documentos e particularidades do caso concreto.

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