Nos contratos futuros, a conta deve acompanhar os ajustes liquidados ao longo da posição. Acrescentar novamente ao total desses ajustes toda a diferença entre o preço inicial e o final pode repetir o mesmo resultado. A perícia contábil precisa ligar abertura, ajustes, encerramento e custos em uma única memória verificável.
Margem de garantia e resultado também não são equivalentes. A garantia afeta a disponibilidade dos recursos; o resultado depende da evolução da posição. A eventual utilização da garantia para pagar perdas deve ser demonstrada como forma de liquidação, não como um segundo prejuízo independente.
Como o ajuste entra na reconstrução
A B3 descreve a apuração e a liquidação diária dos resultados em contratos futuros. O perito contábil deve verificar a fórmula e as especificações do contrato analisado, incluindo multiplicador, unidade de cotação e critérios de ajuste. Não se transporta o valor de um ponto de determinado produto para outro.
Notas de negociação, posição diária, extratos de ajustes, registros de garantias e comprovantes bancários devem ser relacionados. A data de apuração do resultado pode ser diferente da data de movimentação financeira; os dois marcos precisam permanecer identificados para explicar saldos em trânsito.
Exemplo de posição encerrada em quatro sessões
Na hipótese fictícia, os ajustes de uma posição são positivos em R$ 1.200,00 no primeiro dia, negativos em R$ 900,00 no segundo, positivos em R$ 400,00 no terceiro e negativos em R$ 1.800,00 no quarto. O último ajuste já incorpora o encerramento integral da posição. Custos pagos somam R$ 200,00. Não há outras operações ou tributação.
| Evento | Resultado do dia | Acumulado |
|---|---|---|
| Primeiro ajuste | R$ 1.200,00 | R$ 1.200,00 |
| Segundo ajuste | −R$ 900,00 | R$ 300,00 |
| Terceiro ajuste | R$ 400,00 | R$ 700,00 |
| Quarto ajuste e encerramento | −R$ 1.800,00 | −R$ 1.100,00 |
| Custos adicionais | −R$ 200,00 | −R$ 1.300,00 |
A perda líquida é R$ 1.300,00. Os débitos de ajuste somam R$ 2.700,00, mas houve créditos de R$ 1.600,00. Selecionar somente os dias negativos superestimaria o resultado desfavorável em R$ 1.600,00 antes dos custos.
Se a posição contou com R$ 5.000,00 bloqueados como garantia e esses recursos foram liberados sem consumo, eles não ampliam a perda para R$ 6.300,00. Também não geram ganho de R$ 5.000,00 no momento da liberação.
Conferência pela posição e pelo caixa
A soma dos ajustes deve ser confrontada com a variação da posição segundo a especificação contratual. Quando ambos medem o mesmo resultado, servem como caminhos de conferência, não como parcelas cumulativas. Compras ou vendas intermediárias precisam ser incorporadas por quantidade e data.
O extrato bancário deve demonstrar os créditos e débitos efetivos, além de eventuais lançamentos pendentes na data de corte. Um ajuste ainda não liquidado deve ser apresentado separadamente; não se altera sua natureza para forçar coincidência imediata com o saldo em conta.
Custos, financiamento e liquidação forçada
O assistente técnico contábil deve verificar se custos operacionais já estão deduzidos do demonstrativo de ajustes. Juros por financiamento de saldo devedor pertencem a outra origem e exigem contrato, base e período. Não são presumidos sobre o nocional integral da posição.
Se houve encerramento compulsório, preços executados, horário, comunicações e regras aplicáveis devem ser preservados. A existência de perda não resolve, sozinha, a legitimidade do procedimento, nem autoriza adotar o melhor preço posterior como referência indenizatória.
Conclusão técnica
A Costa Nova Associados estrutura os cálculos judiciais por ajuste e liquidação. No exemplo, o resultado dos ajustes é −R$ 1.100,00 e a perda líquida −R$ 1.300,00, sem duplicar margem ou diferença de preços já refletida nos ajustes. A análise de rolagens permite preservar essa continuidade quando a posição migra para outro vencimento.
Exemplo hipotético. Fórmulas, calendários e multiplicadores precisam ser confirmados nas especificações e registros da operação efetiva.
