O crédito de uma amortização extraordinária pode estar correto no extrato e ainda faltar na base usada para o próximo pagamento de juros. O problema aparece quando um sistema registra a saída de dinheiro, enquanto outro continua remunerando o valor nominal anterior. Este estudo fictício acompanha quatro eventos, com cálculo por certificado e uma posição de 25 títulos.
O arquivo editável permite alterar quantidade, taxa e amortização para observar os efeitos. As condições pertencem apenas à emissão didática. Não há uso de dados de clientes, nem indicação de que a convenção adotada se aplique a qualquer CRI disponível no mercado.
Convenções que precisam estar visíveis
Cada certificado começa com principal de R$ 1.000,00. O termo fictício estabelece remuneração simples de 1% por período completo de 30 dias. Nos períodos fracionados, a remuneração corresponde à taxa multiplicada pelos dias efetivos divididos por 30. O saldo do dia anterior é utilizado até o evento e a amortização reduz a base dos dias seguintes.
Os intervalos têm início exclusivo e fim inclusivo. O estudo não usa calendário de dias úteis, IPCA, taxa DI, tributos ou preços de negociação. O objetivo é conferir a alteração do principal e os juros subsequentes, com uma convenção pequena o suficiente para ser repetida manualmente.
Os quatro eventos do exemplo
| Evento | Dias remunerados | Principal antes | Juros por título | Amortização por título | Principal após |
|---|---|---|---|---|---|
| Pagamento regular, 30/04/2024 | 30 | R$ 1.000,00 | R$ 10,00 | R$ 100,00 | R$ 900,00 |
| Evento extraordinário, 15/05/2024 | 15 | R$ 900,00 | R$ 4,50 | R$ 200,00 | R$ 700,00 |
| Pagamento regular, 30/05/2024 | 15 | R$ 700,00 | R$ 3,50 | R$ 100,00 | R$ 600,00 |
| Pagamento regular, 29/06/2024 | 30 | R$ 600,00 | R$ 6,00 | R$ 100,00 | R$ 500,00 |
O primeiro período começa em 31 de março. Os demais começam no evento anterior. A data de junho foi escolhida para formar exatamente 30 dias desde 30 de maio. Não se presume que o último dia do mês tenha sempre a mesma quantidade de dias remunerados.
A diferença implantada na memória recebida
A memória incorreta mantém R$ 900,00 como base entre 15 e 30 de maio, deixando de descontar a amortização extraordinária de R$ 200,00. Calcula R$ 4,50 de juros por título nesse intervalo, quando a base recomposta de R$ 700,00 produz R$ 3,50. A diferença é R$ 1,00 por título, ou R$ 25,00 para a posição examinada.
No evento de 30 de maio, o demonstrativo errado corrige o principal, de modo que o período seguinte volta a usar R$ 600,00. Essa característica do caso importa. Se a omissão continuasse nos eventos posteriores, seria necessário medir uma diferença maior, com outra trajetória do saldo. Não se pode multiplicar R$ 25,00 pelo número de meses sem reconstruir essa trajetória.
Planilha com fórmulas abertas
A pasta contém uma folha de memória, parâmetros editáveis, datas, duração, principal anterior, juros, amortização e saldo posterior. O total recebido pela posição resulta da quantidade de certificados multiplicada pela soma de juros e principal pagos. O arquivo CSV conserva os resultados de referência, para conferir a planilha em outro programa.
Ao abrir a planilha, mantenha primeiro os valores demonstrativos. O saldo final deve ser R$ 500,00 por certificado e R$ 12.500,00 na posição. Os juros dos quatro eventos somam R$ 24,00 por título e R$ 600,00 para o titular. As amortizações somam R$ 500,00 por título e R$ 12.500,00 na posição. O caixa acumulado é R$ 13.100,00.
O que muda em uma emissão real
O aviso de amortização deve informar a data, a base e a forma de pagamento. A posição de custódia precisa comprovar quem tinha direito ao evento. O termo define como atualizar o valor nominal, contar os dias e remunerar o intervalo. Se houver arredondamento por certificado, compare primeiro nessa unidade e só depois multiplique pela quantidade.
Uma divergência de juros pode resultar de taxa, calendário, saldo ou ordem dos eventos. O assistente técnico contábil deve decompor essas possibilidades. Neste exercício, a taxa e a contagem coincidem, o único erro implantado é a base de um intervalo. A conclusão pode apontar precisamente essa diferença, sem transformar o exemplo em uma fórmula universal de remuneração.
Referências e aplicação ao caso
A Lei 14.430 trata das regras gerais da securitização. A Resolução CVM 60, em sua versão consolidada, disciplina as companhias securitizadoras registradas. As condições numéricas deste exercício foram criadas para a demonstração e precisam ser substituídas pelas da emissão examinada.
Para discutir documentos, divergências e escopo profissional, consulte a perícia financeira em CRI e solicite uma análise à Costa Nova.
