O total recebido ao fim de uma safra pode ser suficiente para pagar uma emissão e, ainda assim, ter faltado dinheiro no vencimento de uma parcela. A análise precisa preservar o calendário. Este dossiê fictício acompanha três meses de recebimentos e pagamentos, mostrando um atraso que chega a R$ 50.000,00 e depois é regularizado.
As culturas, as datas operacionais e os fluxos foram inventados para o exercício. Não constituem diagnóstico agronômico nem relato de cliente da Costa Nova. O caso permite examinar a diferença entre a expectativa de recebimento e o dinheiro disponível para cada evento de CRA.
Cronologia agrícola e financeira separadas
O planejamento fictício previa concluir a colheita em março e receber as vendas a partir de abril. O registro operacional informa conclusão em abril e parte das entregas em maio. Esses marcos são preservados em uma tabela própria. A memória financeira usa as datas dos créditos bancários, sem substituir uma data de pagamento pela data da colheita.
Na abertura de abril de 2024, há R$ 20.000,00 disponíveis. Os recebimentos previstos do lastro são R$ 100.000,00 em abril, R$ 120.000,00 em maio e R$ 90.000,00 em junho. As obrigações perante os titulares são, respectivamente, R$ 100.000,00, R$ 110.000,00 e R$ 90.000,00. O exercício prevê R$ 10.000,00 de despesas prioritárias em cada mês.
O dinheiro que efetivamente entrou
| Mês | Recebimento previsto | Recebimento efetivo | Despesas | Pagamento aos titulares | Atraso no fim do mês |
|---|---|---|---|---|---|
| Abril | R$ 100.000,00 | R$ 40.000,00 | R$ 10.000,00 | R$ 50.000,00 | R$ 50.000,00 |
| Maio | R$ 120.000,00 | R$ 150.000,00 | R$ 10.000,00 | R$ 140.000,00 | R$ 20.000,00 |
| Junho | R$ 90.000,00 | R$ 120.000,00 | R$ 10.000,00 | R$ 110.000,00 | R$ 0,00 |
Abril dispõe dos R$ 20.000,00 de abertura e dos R$ 40.000,00 recebidos. Após despesas, restam R$ 50.000,00 para a obrigação de R$ 100.000,00. Maio dispõe de R$ 140.000,00 após despesas. O termo fictício manda quitar primeiro os R$ 50.000,00 atrasados e destinar os R$ 90.000,00 restantes à parcela corrente de R$ 110.000,00.
O fechamento de junho não elimina o atraso anterior
Em junho, os R$ 120.000,00 recebidos geram R$ 110.000,00 disponíveis depois das despesas. Pagam os R$ 20.000,00 anteriores e os R$ 90.000,00 do mês. Os recebimentos totais de R$ 310.000,00 coincidem com a previsão trimestral, mas a distribuição mensal é diferente.
A soma fecha por R$ 20.000,00 de abertura mais R$ 310.000,00 de recebimentos, menos R$ 30.000,00 de despesas e R$ 300.000,00 de pagamentos. O caixa final é zero. A memória conserva os atrasos de abril e maio, em vez de classificar todo o trimestre como pontualmente pago.
O que seria necessário para explicar a causa
O atraso da colheita e o atraso do recebimento aparecem na mesma cronologia, porém a coincidência não prova que um causou integralmente o outro. Seria preciso verificar contratos de compra, condições de entrega, recebimento dos compradores e eventual retenção em contas intermediárias. Uma parte poderia decorrer do ciclo produtivo e outra de prazo comercial ou processamento.
Neste recorte não há juros de mora, multa, reserva utilizável ou contratação de crédito emergencial. Acrescentar qualquer desses elementos mudaria a insuficiência e exigiria regra documental específica. O déficit mensal apresentado mede somente a diferença de caixa nas condições expressas.
Base para refazer a conciliação
O download contém o calendário operacional, a previsão, os recebimentos bancários sintéticos e a memória de parcelas antigas e correntes. Cada mês transporta o atraso efetivo do anterior e não permite pagamento superior ao caixa disponível.
Na assistência técnica contábil, peça que a resposta discrimine o montante vencido em cada data, o dinheiro disponível, a destinação prioritária e o saldo transportado. O dossiê pode sustentar quesitos sobre a evolução financeira do atraso. A avaliação das condições agrícolas e das consequências jurídicas depende de outras provas, que não devem ser substituídas por uma explicação genérica sobre safra.
Referências e análise profissional
A Lei 11.076 trata dos títulos do agronegócio. A Resolução CVM 60 integra a referência regulatória das securitizadoras registradas. Os documentos da emissão e as condições vigentes no período devem ser examinados junto dessas referências.
O serviço de perícia financeira em CRA permite delimitar o exame documental e financeiro. Solicite à Costa Nova uma avaliação do escopo, indicando os eventos, os valores discutidos e os documentos disponíveis.
