O valor nominal de um contrato renegociado não corresponde necessariamente ao dinheiro novo recebido pelo cliente. Parte pode ser destinada à quitação de obrigações anteriores, e outra parte pode representar custos financiados. A perícia precisa reconstruir essa composição para explicar a origem do saldo e evitar dupla contagem de dívidas.
Siga o caminho do recurso
Reúna o contrato anterior, sua evolução até a renegociação, o instrumento novo e os comprovantes de crédito e liquidação. Identifique a data em que o débito anterior foi efetivamente baixado. Um demonstrativo de proposta não substitui o documento que confirma a destinação dos valores.
Separe saldo devedor anterior, descontos concedidos, despesas incluídas e quantia efetivamente disponibilizada. O fato de uma cobrança ter sido incorporada ao contrato novo não dispensa examinar sua origem quando esse ponto integra o objeto do trabalho. Também não autoriza classificá-la automaticamente como indevida.
Exemplo de composição do principal
Em hipótese ilustrativa, um contrato de R$ 80.000 destina R$ 60.000 à quitação anterior, R$ 18.000 ao cliente e R$ 2.000 a despesas financiadas. A composição fecha: 60.000 + 18.000 + 2.000 = 80.000. A análise deve conferir os três destinos, não apresentar R$ 80.000 como dinheiro novo entregue ao contratante.
Se a dívida antiga foi integralmente quitada por essa operação, mantê-la como saldo aberto e acrescentar os R$ 80.000 pode contar novamente os mesmos R$ 60.000. Já uma baixa meramente contábil, sem documentação suficiente da liquidação ou do acordo, exige esclarecimento próprio.
Compare contratos em bases equivalentes
Parcela menor não demonstra, sozinha, redução do custo total: o prazo e os demais componentes também importam. Compare os fluxos previstos, as taxas, os custos e o valor efetivamente refinanciado. A finalidade da comparação deve ser declarada, distinguindo capacidade mensal de pagamento de custo econômico da operação.
Quando houver várias renegociações, monte uma cadeia por contrato, com saldo de entrada, liquidação e novo principal. Evite misturar períodos anteriores e posteriores à repactuação sem identificar quais condições vigoraram em cada intervalo.
O que solicitar e o que entregar
O Banco Central orienta a obtenção de contrato e demonstrativo da evolução da dívida no contexto de liquidação antecipada. Esses documentos ajudam a conciliar a obrigação encerrada com a nova operação, sem dispensar a análise das condições específicas.
A Costa Nova Associados atua em revisão de contratos bancários e perícia contábil. Encaminhe os contratos e a sequência das renegociações para avaliação.
