Uma despesa pode pertencer a agosto e ser paga em setembro. Comparar diretamente o resultado contábil com o extrato bancário, sem tratar essa diferença, produz divergências que não representam necessariamente erro.
A questão que precisa ser demonstrada
Competência e caixa respondem a perguntas diferentes. A primeira relaciona receitas e despesas ao período pertinente, enquanto o fluxo financeiro acompanha recebimentos e pagamentos. O objetivo da perícia determina qual visão é necessária e como as duas se conciliam.
Documentos e conferências necessárias
Reúna documentos de contratação ou execução, notas fiscais, razão, contas a pagar e a receber, além dos extratos. Cada operação deve ter campos distintos para competência, vencimento e liquidação.
Como organizar o exame técnico
Construa a movimentação das contas de passagem. Obrigações reconhecidas e ainda não pagas explicam parte da diferença entre despesa e desembolso. Adiantamentos e pagamentos de períodos anteriores exigem tratamento próprio.
Compare os totais somente depois de alinhar o período e os componentes. Uma conciliação útil mostra quais valores pertencem ao resultado, quais alteram o caixa e quais permanecem no patrimônio, evitando usar uma medida como substituta da outra.
Demonstração didática
O exemplo a seguir é hipotético, usa valores nominais na data de referência de 31/08/2026 e não corresponde a um caso real da Costa Nova. Encargos, tributos ou critérios adicionais só estão incluídos quando expressamente informados.
Despesas de agosto somam R$ 25.000,00, das quais R$ 7.000,00 ficam a pagar. No mesmo mês são pagos R$ 4.000,00 de despesas antigas. O desembolso é R$ 25.000,00 menos R$ 7.000,00 mais R$ 4.000,00, totalizando R$ 22.000,00. A diferença de R$ 3.000,00 decorre do movimento das obrigações.
O ponto que merece atenção
A simples ocorrência de saída bancária não prova despesa do período. Compra de ativo, adiantamento, empréstimo e transferência entre contas podem movimentar caixa sem corresponder à despesa que se pretende medir.
Como essa análise integra o trabalho pericial
Na organização da prova, o primeiro controle é distinguir o que se pretende demonstrar daquilo que os documentos realmente permitem examinar. Uma planilha pode estar correta e ainda tratar de outra obrigação, período ou pessoa. O planejamento precisa ligar a pergunta ao universo documental, registrar o procedimento escolhido e conservar as informações que permitam repetir a verificação. A extensão da conclusão deve acompanhar a extensão do exame.
O perito contábil judicial exerce o encargo recebido no processo, enquanto o assistente técnico contábil atua por indicação da parte. Na perícia contábil extrajudicial, a contratação delimita o trabalho privado. Conforme a função e o objeto, as conclusões são apresentadas em laudo pericial contábil ou parecer, acompanhadas dos cálculos judiciais ou demonstrativos necessários. Essas funções não devem ser confundidas.
Qual visão deve constar do laudo?
A que responde ao objeto, acompanhada da conciliação necessária. Em prestação de contas e disputas sobre resultado, frequentemente é útil apresentar as duas visões com identificação das diferenças.
Conclusão
Competência e caixa devem ser conciliados, não confundidos. A diferença entre eles precisa ser explicada por movimentos documentados de ativos e obrigações.
Referências para consulta: CFC, NBC TP 01 (R2), perícia contábil; Código de Processo Civil, prova pericial e demonstrativos processuais. Os procedimentos e exemplos apresentados são explicações técnicas do autor e devem ser relacionados aos critérios do caso concreto.
Conheça a atuação da Costa Nova em prova contábil e planejamento. Para avaliar o escopo, encaminhe a questão, os documentos e o prazo pelos canais de atendimento.
