Acesso parcial não impede toda análise, mas altera o que pode ser afirmado. O trabalho precisa distinguir as parcelas examinadas das questões que dependem de fontes ainda indisponíveis.
A questão que precisa ser demonstrada
Há diferença entre não localizar um documento, receber somente parte do período e não ter acesso a um sistema. Cada restrição afeta procedimentos específicos e deve ser relacionada ao valor ou à afirmação correspondente.
Documentos e conferências necessárias
Mantenha relação dos documentos recebidos, períodos cobertos, arquivos incompletos e solicitações pendentes. Identifique se os totais de controle permitem medir a cobertura ou se até o tamanho do universo permanece desconhecido.
Como organizar o exame técnico
Divida a apuração em módulos que possam ser concluídos de forma independente. Uma parcela documentalmente demonstrada não precisa ser tratada como desconhecida porque outra está pendente. A conclusão deve conservar essa separação.
Para cada limitação, descreva o procedimento não realizado e seu possível efeito. Não transforme ausência de comprovação em comprovação de inexistência. Quando não houver base para quantificar, apresente a lacuna de forma específica, sem inventar percentual ou faixa.
Demonstração didática
O exemplo a seguir é hipotético, usa valores nominais na data de referência de 31/08/2026 e não corresponde a um caso real da Costa Nova. Encargos, tributos ou critérios adicionais só estão incluídos quando expressamente informados.
Uma demanda contém R$ 70.000,00 de principal e R$ 8.000,00 de despesas. O principal tem contratos e pagamentos conciliados, mas faltam comprovantes de R$ 2.000,00 das despesas. O exame pode concluir sobre o principal e sobre R$ 6.000,00 de despesas documentadas, delimitando os R$ 2.000,00 restantes.
O ponto que merece atenção
Expressões como análise integral ou conferência completa são inadequadas quando o acesso não abrangeu todo o objeto. A precisão da linguagem protege o uso do relatório e permite direcionar a complementação documental.
Como essa análise integra o trabalho pericial
Na organização da prova, o primeiro controle é distinguir o que se pretende demonstrar daquilo que os documentos realmente permitem examinar. Uma planilha pode estar correta e ainda tratar de outra obrigação, período ou pessoa. O planejamento precisa ligar a pergunta ao universo documental, registrar o procedimento escolhido e conservar as informações que permitam repetir a verificação. A extensão da conclusão deve acompanhar a extensão do exame.
O perito contábil judicial exerce o encargo recebido no processo, enquanto o assistente técnico contábil atua por indicação da parte. Na perícia contábil extrajudicial, a contratação delimita o trabalho privado. Conforme a função e o objeto, as conclusões são apresentadas em laudo pericial contábil ou parecer, acompanhadas dos cálculos judiciais ou demonstrativos necessários. Essas funções não devem ser confundidas.
É correto atribuir valor zero à parcela não comprovada?
Não como consequência automática da falta de acesso. O relatório deve distinguir valor não demonstrado de valor inexistente, observando a finalidade e as premissas aplicáveis ao trabalho.
Conclusão
A conclusão deve avançar até onde a evidência permite. Parcelas comprovadas e limitações específicas precisam aparecer separadamente, com consequências claramente identificadas.
Referências para consulta: CFC, NBC TP 01 (R2), perícia contábil; Código de Processo Civil, prova pericial e demonstrativos processuais. Os procedimentos e exemplos apresentados são explicações técnicas do autor e devem ser relacionados aos critérios do caso concreto.
Conheça a atuação da Costa Nova em prova contábil e planejamento. Para avaliar o escopo, encaminhe a questão, os documentos e o prazo pelos canais de atendimento.
