A CONTA DA ELEIÇÃO
Por Costa Nova Associados
Data de corte: 7 de setembro de 2026, às 21h30, horário de Brasília.
O programa de governo de Rui Costa Pimenta, candidato do PCO à Presidência, afirma que o salário mínimo necessário para atender o trabalhador e sua família não poderia ser inferior a R$ 7.500. O valor consta do programa registrado no Tribunal Superior Eleitoral, na página 2. Trata-se, portanto, de uma promessa documentada. Ainda não é uma lei, uma dotação orçamentária nem um resultado executado.
A distância até o valor vigente
Desde 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo nacional é de R$ 1.621, conforme o Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025. A passagem direta para R$ 7.500 acrescentaria R$ 5.879 ao piso, uma alta nominal de 362,7%.
O programa eleitoral não apresenta, para esse valor, uma trajetória anual, uma fonte específica de financiamento ou uma memória de cálculo. A busca realizada nos portais da Câmara e do Senado até a data de corte também não identificou uma proposição numerada que estabeleça o piso nacional em R$ 7.500. Isso não torna a proposta juridicamente impossível, mas deixa em aberto o instrumento legislativo, a negociação parlamentar e a acomodação no orçamento.
Uma conta para medir a ordem de grandeza
O Anexo V de Riscos Fiscais do PLDO 2027, elaborado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, estima que cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera incremento líquido de R$ 413,2 milhões nas despesas federais de 2027. O cálculo considera efeitos sobre benefícios previdenciários, abono salarial, seguro desemprego, renda mensal vitalícia e Benefício de Prestação Continuada, descontado o ganho adicional de arrecadação previdenciária.
Cálculo próprio: R$ 5.879 multiplicados por R$ 413,2 milhões resultam em aproximadamente R$ 2,429 trilhões.
Essa multiplicação é uma extrapolação linear para dimensionar a escala fiscal. Não é estimativa oficial do custo da proposta. Um salto dessa magnitude mudaria emprego, salários superiores ao piso, contribuição previdenciária, arrecadação tributária, elegibilidade a benefícios e comportamento das empresas. A sensibilidade oficial pode não permanecer linear em toda a distância entre R$ 1.621 e R$ 7.500.
Ainda assim, a comparação é informativa. A Mensagem Presidencial do PLOA 2027 fixa em R$ 2,576 trilhões o limite das despesas primárias da União para 2027, conforme a tabela 14, na página 123. A extrapolação de R$ 2,429 trilhões equivale a cerca de 94,3% desse limite.
O efeito não termina no orçamento
Para trabalhadores que hoje recebem o piso, a mudança produziria aumento imediato de renda nominal, caso fosse integralmente implementada. Para aposentados e beneficiários vinculados ao mínimo, elevaria transferências. Para empresas, aumentaria folha, encargos, contratos de serviços e custos de fornecedores.
O repasse para preços não seria automático nem uniforme. Negócios com margem, produtividade ou capacidade de substituir insumos podem absorver parte do custo. Outros podem reajustar preços, reduzir horas, desacelerar contratações, automatizar tarefas ou migrar relações para a informalidade. A demanda maior gerada pela renda também pode elevar vendas e arrecadação, amortecendo parte do impacto inicial.
Por isso, não basta perguntar se o trabalhador receberia mais. A análise completa exige saber em quanto tempo, por qual lei, com qual financiamento e sob quais medidas de produtividade e formalização. O número de R$ 7.500 define o destino, mas o programa ainda não mostra a ponte fiscal e econômica até ele.
Consulte o carrossel completo em PDF.
Fontes
- Programa do PCO, Eleições 2026, TSE, registrado em agosto de 2026, página 2.
- Decreto nº 12.797, Presidência da República, 23 de dezembro de 2025.
- Anexo V de Riscos Fiscais do PLDO 2027, Ministério do Planejamento e Orçamento, atualizado em 26 de agosto de 2026.
- Mensagem Presidencial do PLOA 2027, Ministério do Planejamento e Orçamento, 31 de agosto de 2026, tabela 14, página 123.
Execução em 4 anos: 🟠 laranja 3/10, escala nominal não acompanhada de custeio, transição ou desenho legal suficiente. Avaliação editorial, não probabilidade estatística.
Nota metodológica: viabilidade jurídica e legislativa 1, financiamento 0, capacidade administrativa 1, condições técnicas e econômicas 0, cronograma de quatro anos 1. Nota provisória, confiança baixa, porque o programa não detalha a implantação do valor.

