Uma célula pode parecer conter um número e ainda ser tratada como texto no procedimento de cálculo. Espaços, símbolos e convenções de importação podem deixar parcelas fora do total sem tornar o problema evidente na leitura.
A questão que precisa ser demonstrada
A questão não está apenas na formatação visual. É necessário conferir quais registros foram efetivamente reconhecidos como valores e como o procedimento utilizado trata campos não numéricos.
Documentos e conferências necessárias
O exame precisa da base original, planilha de trabalho, fórmulas e relação de valores esperados. Documentos de origem ajudam a distinguir um campo vazio de zero e um texto explicativo de um valor que falhou na conversão.
Como organizar o exame técnico
Classifico os registros em números válidos, campos vazios, textos e exceções de interpretação. Mantenho a quantidade e o valor conhecido de cada grupo. A conversão deve seguir a convenção da origem e registrar falhas, sem substituir indiscriminadamente todo campo não reconhecido por zero.
Depois comparo a soma com totais independentes e verifico registros selecionados. Campos com espaços, símbolos monetários ou representação específica de negativos merecem atenção. A correção de uma parcela precisa conservar o valor original e explicar a transformação aplicada.
Demonstração didática
O exemplo a seguir é hipotético, usa valores nominais na data de referência de 31/08/2026 e não corresponde a um caso real da Costa Nova. Encargos, tributos ou critérios adicionais só estão incluídos quando expressamente informados.
A base contém dez parcelas de R$ 100. O procedimento reconhece oito como números e deixa duas como texto, produzindo soma de R$ 800. Após conferir e converter as duas parcelas conforme os documentos, o total correto passa a R$ 1.000. A diferença de R$ 200 corresponde aos registros antes excluídos da operação.
O ponto que merece atenção
Converter todo campo vazio em zero pode afirmar uma ausência de valor que não foi demonstrada. Falta de informação e valor zero devem permanecer conceitos distintos.
Como essa análise integra o trabalho pericial
A confiabilidade de uma planilha depende da qualidade de seus dados e da rastreabilidade das transformações. Corrigir uma fórmula sem validar importação, identificação, datas e unidade de medida pode preservar o erro na base. O arquivo original deve permanecer identificável e as alterações precisam produzir uma trilha de conferência. Automatizar a verificação ajuda a localizar exceções, mas não substitui a interpretação do documento e da obrigação examinada.
O perito contábil judicial exerce o encargo recebido no processo, enquanto o assistente técnico contábil atua por indicação da parte. Na perícia contábil extrajudicial, a contratação delimita o trabalho privado. Conforme a função e o objeto, as conclusões são apresentadas em laudo pericial contábil ou parecer, acompanhadas dos cálculos judiciais ou demonstrativos necessários. Essas funções não devem ser confundidas.
Como mostrar esse problema no laudo?
É útil apresentar quantidade de registros esperados, reconhecidos e pendentes, além do efeito monetário. Essa composição permite entender a diferença sem depender de detalhes da interface da planilha.
Conclusão
A conferência de tipos de dado evita que parcelas desapareçam do cálculo. O total deve ser acompanhado de controles sobre o que foi incluído e o que ficou pendente.
Referências para consulta: CFC, NBC TP 01 (R2), perícia contábil; Código de Processo Civil, prova pericial e demonstrativos processuais. Os procedimentos e exemplos apresentados são explicações técnicas do autor e devem ser relacionados aos critérios do caso concreto.
Conheça a atuação da Costa Nova em dados e planilhas periciais. Para avaliar o escopo, encaminhe a questão, os documentos e o prazo pelos canais de atendimento.
