Plano de recuperação judicial, análise contábil e financeira
Um plano de recuperação judicial precisa conectar os meios de reestruturação, a capacidade de geração de caixa, o tratamento dos credores e as premissas que sustentam os pagamentos projetados.
A análise técnica transforma cláusulas e projeções em fluxos comparáveis, permitindo que empresa, credores e assessores compreendam o efeito financeiro das propostas.
O que precisa ser compreendido antes do cálculo
O objetivo é transformar documentos e regras em uma sequência que outra pessoa consiga reproduzir e auditar.
O artigo 53 da Lei 11.101/2005 exige discriminação dos meios de recuperação, demonstração de viabilidade econômica e laudo econômico financeiro e de avaliação de bens e ativos.
Deságio, carência, atualização, juros, amortização e gatilhos precisam ser modelados por classe e período.
Projeções devem dialogar com histórico, capital de giro, investimentos, tributos e necessidades operacionais.
A avaliação econômica pelos credores não se confunde com o controle judicial de legalidade reconhecido pela jurisprudência.
Uma sequência curta para reduzir erros
Cada etapa deixa evidência na memória e facilita a conferência pela equipe jurídica, pelas partes e pelo juízo.
Mapear classes, créditos e cláusulas econômicas
Converter condições do plano em cronogramas de pagamento
Testar premissas operacionais e geração de caixa
Comparar cenários e registrar sensibilidades
Critérios para comparar e conferir
Filtre os itens e use a tabela como roteiro de revisão, sem substituir o título, o contrato ou a norma aplicável.
| Elemento | Referência | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| Credores | Classe, valor e sujeição | Conciliar com a relação de créditos |
| Pagamento | Deságio, carência e prazo | Modelar fluxo por classe |
| Atualização | Índice e juros | Definir base, periodicidade e capitalização |
| Operação | Receita, margem e capital de giro | Confrontar histórico e projeção |
| Cenários | Base, estresse e sensibilidade | Evidenciar capacidade e riscos |
O que reunir antes de fechar a memória
Na recuperação judicial, cada número precisa estar ligado a uma classe, uma data de corte, uma cláusula e uma premissa operacional. Histórico, projeções, créditos e fluxo do plano devem ser reconciliados.
Petição, decisões, editais e plano de recuperação
Relações de credores, divergências e habilitações
Demonstrações contábeis históricas e especiais
Projeções, laudos, contratos e documentos dos créditos
A conferência documental evita que o cálculo judicial comece por uma taxa isolada. O perito contábil ou assistente técnico precisa relacionar cada valor a uma data, a um fato processual e à regra que autoriza sua inclusão.
Na perícia contábil, divergências de saldo frequentemente nascem antes da fórmula, por exemplo, quando um pagamento não é abatido na data correta, uma verba é incluída sem suporte ou um marco temporal é interpretado de modo diferente.
Como uma premissa muda os cálculos judiciais
O quadro abaixo transforma os itens da tabela em perguntas de auditoria, sem inventar percentuais ou prometer uma conclusão única.
Credores
Ao adotar Classe, valor e sujeição, a memória deve explicar Conciliar com a relação de créditos. Essa ligação permite comparar cenários, localizar a origem da diferença e apresentar um cálculo judicial reproduzível.
Pagamento
Ao adotar Deságio, carência e prazo, a memória deve explicar Modelar fluxo por classe. Essa ligação permite comparar cenários, localizar a origem da diferença e apresentar um cálculo judicial reproduzível.
Atualização
Ao adotar Índice e juros, a memória deve explicar Definir base, periodicidade e capitalização. Essa ligação permite comparar cenários, localizar a origem da diferença e apresentar um cálculo judicial reproduzível.
Operação
Ao adotar Receita, margem e capital de giro, a memória deve explicar Confrontar histórico e projeção. Essa ligação permite comparar cenários, localizar a origem da diferença e apresentar um cálculo judicial reproduzível.
Cenários
Ao adotar Base, estresse e sensibilidade, a memória deve explicar Evidenciar capacidade e riscos. Essa ligação permite comparar cenários, localizar a origem da diferença e apresentar um cálculo judicial reproduzível.
Quando houver mais de uma leitura tecnicamente possível, a prática mais transparente é separar os cenários e identificar a consequência financeira de cada um. Isso torna o parecer técnico contábil mais útil para decisão e estratégia processual.
A redação da memória importa tanto quanto a planilha. Fórmula, fonte, período, arredondamento e tratamento dos eventos precisam aparecer em linguagem clara para que advogados, partes e juízo consigam refazer os cálculos judiciais.
Mapear classes, créditos e cláusulas econômicas
Registramos a premissa, a fonte, a data e o efeito desta etapa na memória para permitir revisão independente.
Converter condições do plano em cronogramas de pagamento
Registramos a premissa, a fonte, a data e o efeito desta etapa na memória para permitir revisão independente.
Testar premissas operacionais e geração de caixa
Registramos a premissa, a fonte, a data e o efeito desta etapa na memória para permitir revisão independente.
Comparar cenários e registrar sensibilidades
Registramos a premissa, a fonte, a data e o efeito desta etapa na memória para permitir revisão independente.
Fontes oficiais consultadas
Fontes externas podem ser atualizadas. Confirme a versão vigente na data do trabalho.
Dúvidas sobre plano de recuperação judicial
As respostas são informativas e precisam ser adaptadas ao título, ao contrato e às decisões do caso concreto.
O que deve conter o plano de recuperação judicial?
A Lei 11.101/2005 prevê meios de recuperação, demonstração de viabilidade e laudo econômico financeiro e de avaliação, além das condições oferecidas aos credores.
A perícia decide se o plano será aprovado?
Não. A análise técnica fornece evidências e cenários, enquanto a deliberação e o controle jurídico seguem as competências previstas em lei.
Como conferir deságio e carência?
Converta cada cláusula em datas, bases, taxas e fluxos, separando classes e eventos condicionais.
Projeção otimista invalida o plano?
Uma premissa precisa ser comparada com histórico, capacidade operacional e riscos. A conclusão depende do conjunto de evidências e da finalidade da análise.
Guias relacionados
Navegue pelo mesmo cluster sem lotar o menu principal.
O seu cálculo é mais complexo?
Envie o contexto pelo WhatsApp para uma avaliação técnica da Costa Nova Associados.
Atuação técnica em plano de recuperação judicial
Um plano de recuperação pode estabelecer tratamentos distintos por grupo de credores, com deságio, carência e forma de pagamento próprios. Comparar o crédito original com uma parcela isolada não demonstra descumprimento. A análise deve reconstruir a obrigação conforme os eventos efetivamente aplicáveis.
A perícia contábil organiza as evidências necessárias para esclarecer o objeto financeiro e patrimonial. O perito contábil delimita a análise, confere os registros e apresenta a conclusão com sua memória. O assistente técnico contábil atua no exame da prova pela parte, inclusive na conferência de laudos e de cálculos judiciais relacionados à controvérsia.
Como desenvolvemos o trabalho
Identificamos o crédito de origem e o tratamento admitido para o credor. Reproduzimos a transformação da base e o cronograma, conferindo pagamentos e eventual atualização prevista. Apresentamos separadamente obrigação original, obrigação resultante do plano e parcelas efetivamente vencidas.
Documentação inicial para este recorte: plano e alterações aprovadas, relação de credores, cronograma aplicável, comprovantes de pagamento. O material deve identificar as operações e abranger o período examinado.
Pontos de atenção no escopo
Saldo total do plano e valor vencido na data de análise não são necessariamente a mesma grandeza. O exemplo não define validade do plano, enquadramento do credor ou extensão da novação no caso concreto.
O artigo Plano de recuperação judicial, como conferir a obrigação prevista para cada grupo de credores apresenta um exemplo hipotético, o método de conferência e a conclusão do exercício. A leitura complementa a definição do trabalho e ajuda a identificar quais documentos devem ser reunidos.
Solicite uma proposta com o contexto e os documentos da demanda. A definição do prazo e dos honorários depende do escopo e do material disponível.
Vinícius Costa, sócio da Costa Nova Associados.
Venda de ativos e recursos previstos no plano
Quando o pagamento aos credores depende da venda de ativos, a projeção precisa distinguir avaliação, preço esperado e dinheiro efetivamente disponível. Uma proposta parcelada não gera todo o caixa na data da venda. Despesas da alienação e eventual perda de receita operacional também devem ser examinadas, sem contar simultaneamente a venda do bem e os fluxos que dependiam de sua permanência na empresa.
O artigo Leilão de ativos: como conferir chamada, avaliação e preço mínimo apresenta a distinção entre modalidades, um teste da versão da avaliação e uma comparação de propostas por valor presente. Os exemplos são hipotéticos e ajudam a identificar documentos necessários, sem decidir a validade de uma alienação concreta.
Na conferência do plano, relacione cada entrada projetada ao ativo, à condição de venda e à data de recebimento. Preserve o cenário sem a alienação para mostrar de que depende o cronograma dos credores.
