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Como o assistente técnico revisa um laudo sobre investimentos

Autoria editorial: Cristina Costa

Revisar um laudo sobre investimentos não significa procurar uma conclusão oposta. Significa refazer o caminho entre objeto, documentos, método, cálculos e resposta aos quesitos.

O assistente técnico contábil deve localizar diferenças específicas, medir seu efeito e explicar por que alteram ou não a conclusão. Crítica sem memória própria possui pouco alcance técnico.

1. O objeto foi respeitado?

A revisão começa pela decisão, quesitos e delimitação do trabalho. É necessário verificar quais contas, produtos, datas e alegações integravam o objeto.

Um laudo pode estar matematicamente correto e responder a período diferente. Pode também incluir conclusão sobre tema que não foi submetido à análise.

A primeira matriz relaciona cada quesito à seção, ao documento e à resposta correspondente.

2. A documentação está inventariada?

O laudo deve indicar as fontes examinadas. Em investimentos, podem existir cadastro, perfil, ordens, gravações, notas, custódia, extratos, documentos de oferta, regulamentos, escrituras, preços e comunicações.

O revisor pergunta:

  • a versão correta foi usada;
  • há documento citado que não consta dos autos ou anexos;
  • existem bases independentes que não foram conciliadas;
  • a ausência foi declarada;
  • o alcance da lacuna foi respeitado.

O perito contábil não precisa usar todo documento disponível, mas deve usar o necessário para sustentar a conclusão.

3. A cronologia fecha?

Suitability, ordem, alerta, aceite, execução, contestação e venda são eventos temporais. Em securitização, cessão, cobrança, pagamento e assembleia também.

O assistente técnico contábil normaliza datas e fusos e verifica se o laudo atribuiu causa a evento anterior ou posterior. Uma conclusão pode mudar quando se descobre que o termo foi assinado depois da ordem ou que o aditamento ainda não vigorava.

4. As grandezas estão corretas?

Exposição nocional não é perda. Patrimônio declarado não é sempre patrimônio líquido disponível. Marcação a mercado não é sinônimo de resultado realizado. Custo do cliente não é necessariamente receita do intermediário.

A revisão precisa dar nome a cada medida e verificar se o laudo comparou bases equivalentes.

Na perícia financeira no mercado de capitais, erros de grandeza podem produzir diferenças maiores que erros aritméticos.

5. As fórmulas podem ser reproduzidas?

Turnover, cost-equity, juros, amortizações, cotas, performance, payoff e valuation dependem de variáveis. O laudo deve apresentar fórmula, fonte, período, calendário, precisão e tratamento de fluxos.

O revisor deve refazer uma amostra e, quando possível, o conjunto integral. Se o resultado não fecha, registra a diferença por etapa, em vez de apenas apresentar outro total.

6. A conciliação chega aos registros?

Uma planilha pode estar internamente correta e não fechar com extratos, custódia ou contabilidade. O roteiro acompanha:

  1. documento de origem;
  2. base analítica;
  3. operação ou posição;
  4. caixa ou custódia;
  5. cálculo;
  6. resultado apresentado.

Toda diferença residual deve ter explicação ou limitação.

7. O contrafactual possui fundamento?

Para medir efeito, o laudo pode comparar o resultado observado com cenário alternativo. O assistente técnico verifica se a alternativa decorre de ordem, mandato, quesito ou documento.

Escolher retrospectivamente o ativo de melhor desempenho não é contrafactual neutro. Ignorar aportes, resgates e rendimentos também distorce a comparação.

Quando mais de um cenário é possível, sensibilidades podem ser mais adequadas que um valor único.

8. Fato, premissa e conclusão estão separados?

O leitor deve distinguir o que consta dos registros, o que foi adotado para calcular e o que resultou do teste.

Expressões categóricas sem fonte devem ser localizadas. Premissas não podem aparecer como fatos. Uma limitação não deve desaparecer no resumo final.

A perícia contábil é mais forte quando demonstra seus limites.

9. O laudo ultrapassou a esfera técnica?

Responsabilidade, ilicitude e decisão jurídica não devem ser resolvidas por simples afirmação contábil. O trabalho pode demonstrar divergência, efeito, aderência a critério e consistência documental.

O parecer do assistente deve manter a mesma disciplina. Trocar uma extrapolação por outra não melhora a prova.

10. A diferença é material para a conclusão?

Nem todo erro altera o resultado. A revisão deve quantificar seu efeito. Um arredondamento imaterial possui alcance diferente de uma base patrimonial errada que muda o turnover ou o valor da cota.

O parecer pode classificar achados por impacto, mostrar recálculo e indicar quais respostas precisam de esclarecimento ou correção.

Auditoria e revisão pericial

Uma auditoria financeira possui finalidade e escopo próprios. A perícia financeira responde a quesitos do caso. O assistente técnico contábil revisa a coerência do caminho pericial e pode produzir cálculos independentes.

Um bom parecer não afirma apenas que discorda. Ele mostra onde o documento muda, qual fórmula deve ser revista, quanto a diferença representa e quais conclusões permanecem válidas.

Consulte a página de assistência técnica contábil, o conteúdo sobre parecer técnico contábil e a página sobre laudo pericial contábil.

Fontes oficiais

Este conteúdo é informativo, não constitui recomendação de investimento e não substitui a análise técnica e jurídica do caso concreto.

Este conteúdo se relaciona ao seu processo?

Uma análise técnica precisa considerar as decisões, datas, documentos e particularidades do caso concreto.

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