Um equipamento pode estar totalmente depreciado e continuar em uso. Na avaliação societária, esse fato exige cuidado para não confundir valor contábil líquido com capacidade operacional ou com uma base de avaliação diferente.
A questão que precisa ser demonstrada
Depreciação contábil não corresponde necessariamente a uma medição atual de preço de mercado. Por outro lado, o uso contínuo de um bem não autoriza atribuir qualquer valor a ele sem método e evidência compatíveis com o objeto.
Documentos e conferências necessárias
São necessários registro patrimonial, documentação de aquisição, controle de depreciação, identificação dos bens, condição de uso e eventuais avaliações técnicas. Evidências de mercado precisam ser comparáveis e considerar características relevantes do item.
Como organizar o exame técnico
Reconcilio o cadastro patrimonial com os bens incluídos no escopo e verifico custo, depreciação e baixas. Itens inexistentes, vendidos ou substituídos são destacados. A identidade do bem deve permanecer clara para não associar uma cotação atual a um equipamento diferente.
Se o critério do trabalho determinar mensuração distinta do valor contábil, apresento o ajuste com fonte e procedimento. Avaliações de natureza especializada devem ter autoria e alcance identificados. O relatório contábil explica como o resultado recebido entra na composição, sem assumir competências que não foram exercidas.
Demonstração didática
O exemplo a seguir é hipotético, usa valores nominais na data de referência de 31/08/2026 e não corresponde a um caso real da Costa Nova. Encargos, tributos ou critérios adicionais só estão incluídos quando expressamente informados.
Um equipamento possui custo registrado de R$ 100.000 e depreciação acumulada de R$ 100.000, com valor contábil líquido zero. No cenário de avaliação adotado para o exemplo, um exame técnico pertinente considera R$ 25.000. O ajuste nessa base é de R$ 25.000, e não de R$ 125.000. O custo histórico não deve ser somado novamente ao valor avaliado.
O ponto que merece atenção
O exemplo não determina que todos os bens depreciados devam receber ajuste. A necessidade depende do método e da finalidade da avaliação.
Como essa análise integra o trabalho pericial
Nas controvérsias societárias, o valor depende da finalidade da avaliação, da data de referência e do método pertinente ao caso. O patrimônio contábil, o patrimônio ajustado e o preço negociado podem responder a perguntas diferentes. Os ajustes precisam apresentar origem, evidência e efeito, sem somar novamente valores já incorporados em outra parcela. A demonstração contábil deve respeitar o instrumento societário e os critérios aplicáveis ao objeto.
O perito contábil judicial exerce o encargo recebido no processo, enquanto o assistente técnico contábil atua por indicação da parte. Na perícia contábil extrajudicial, a contratação delimita o trabalho privado. Conforme a função e o objeto, as conclusões são apresentadas em laudo pericial contábil ou parecer, acompanhadas dos cálculos judiciais ou demonstrativos necessários. Essas funções não devem ser confundidas.
Uma oferta encontrada na internet é suficiente?
Ela pode ser um indício de preço, mas exige análise de comparabilidade, estado, localização e condições comerciais. Preço anunciado e preço efetivamente realizável não são necessariamente iguais.
Conclusão
A avaliação deve explicar qual pergunta o valor do bem responde. A reconciliação entre cadastro, condição e método evita tanto a atribuição automática de valor zero quanto um acréscimo sem suporte.
Referências para consulta: CFC, NBC TP 01 (R2), perícia contábil; CFC, ITP 01, apuração de haveres. Os procedimentos e exemplos apresentados são explicações técnicas do autor e devem ser relacionados aos critérios do caso concreto.
Conheça a atuação da Costa Nova em perícia societária. Para avaliar o escopo, encaminhe a questão, os documentos e o prazo pelos canais de atendimento.
