Uma planilha de acordo pode reunir saldo apurado, abatimentos negociados e parcelamento. Revisá-la exige conferir a aritmética e compreender a natureza de cada ajuste, para que o valor final represente exatamente a proposta documentada.
A questão que precisa ser demonstrada
Corrigir pagamento não abatido é diferente de conceder desconto. Ambas as operações reduzem o total, mas por motivos distintos. Misturá-las pode impedir a conferência posterior e gerar divergência sobre o alcance da composição.
Documentos e conferências necessárias
O exame utiliza a memória original, os documentos dos pagamentos, as premissas do acordo e suas versões. Datas, valores, encargos, condições e eventos que alteram o fluxo precisam estar claramente informados para a simulação.
Como organizar o exame técnico
Primeiro reconstruo a base antes das concessões e confiro pagamentos, duplicidades e fórmulas. Cada correção recebe uma justificativa documental. O valor técnico ajustado permanece visível, mesmo quando a negociação termina em quantia diferente.
Depois aplico as concessões na ordem prevista e verifico o parcelamento. A memória precisa mostrar se o desconto incide sobre o principal, os encargos ou o saldo total. Condições futuras, como efeitos de atraso, ficam em cenário separado quando não integram o fluxo regular apresentado.
Demonstração didática
O exemplo a seguir é hipotético, usa valores nominais na data de referência de 31/08/2026 e não corresponde a um caso real da Costa Nova. Encargos, tributos ou critérios adicionais só estão incluídos quando expressamente informados.
A planilha inicial apresenta R$ 110.000. Um pagamento comprovado de R$ 10.000 ainda não foi abatido, reduzindo a base para R$ 100.000. Sobre essa base, as partes convencionam desconto de 8%, equivalente a R$ 8.000. O valor negociado é R$ 92.000, dividido no exemplo em quatro parcelas nominais de R$ 23.000, sem encargos adicionais.
O ponto que merece atenção
Aplicar 8% antes de abater o pagamento produziria outra base e outro resultado. A ordem das operações precisa refletir a regra acordada, sem ser escolhida apenas por conveniência da fórmula.
Como essa análise integra o trabalho pericial
A perícia extrajudicial começa pela definição contratual da pergunta, das fontes disponíveis e da finalidade do relatório. Ela pode apoiar negociações e decisões privadas sem equivaler a uma nomeação pelo juízo. O destinatário precisa conhecer os procedimentos, a documentação examinada e as restrições do trabalho. Uma conclusão produzida com acesso limitado não deve ser apresentada como auditoria integral ou certificação de toda a atividade empresarial.
O perito contábil judicial exerce o encargo recebido no processo, enquanto o assistente técnico contábil atua por indicação da parte. Na perícia contábil extrajudicial, a contratação delimita o trabalho privado. Conforme a função e o objeto, as conclusões são apresentadas em laudo pericial contábil ou parecer, acompanhadas dos cálculos judiciais ou demonstrativos necessários. Essas funções não devem ser confundidas.
A revisão contábil substitui a revisão do instrumento de acordo?
Não. Ela confere os números e as premissas quantitativas dentro do escopo. A redação e os efeitos jurídicos do instrumento precisam ser tratados pelos responsáveis por essa análise.
Conclusão
Uma planilha de acordo confiável conserva a origem do saldo, a correção documental e a concessão negociada. O total final deve ser consequência de uma sequência que qualquer conferente consiga acompanhar.
Referências para consulta: CFC, NBC TP 01 (R2), perícia contábil; Código de Processo Civil, prova pericial e demonstrativos processuais. Os procedimentos e exemplos apresentados são explicações técnicas do autor e devem ser relacionados aos critérios do caso concreto.
Conheça a atuação da Costa Nova em perícia extrajudicial. Para avaliar o escopo, encaminhe a questão, os documentos e o prazo pelos canais de atendimento.
