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Perícia contábil na preparação de uma arbitragem: provas, quesitos e quantificação dos pedidos

Autoria editorial: Vinícius Costa

A preparação técnica de uma arbitragem não deve começar depois da constituição do tribunal. Quando a controvérsia envolve contratos, demonstrações contábeis, investimentos, construção, M&A, seguros ou quantificação de danos, o parecer contábil prévio ajuda a definir pedidos, documentos, testemunhas, especialistas e riscos.

Estratégia

O perito deve participar antes da redação final dos pedidos quando o valor depende de premissas, bases ou reconstruções complexas. Isso reduz inconsistências entre narrativa jurídica, documentos e memória de cálculo.

Por que a arbitragem exige preparação técnica antecipada?

O procedimento arbitral costuma possuir calendário concentrado, regras de prova definidas e alto custo de retrabalho. Uma tese sem quantificação adequada pode sofrer:

  • pedido ilíquido ou mal delimitado;
  • documentos essenciais apresentados tarde;
  • incompatibilidade entre expert report e memoriais;
  • duplicidade de danos;
  • uso de premissa jurídica não sustentada;
  • falta de cadeia de custódia;
  • quesitos incapazes de produzir resposta útil;
  • dificuldade em responder ao expert adverso.

Primeiro passo: entender a convenção e a ordem processual

A cláusula compromissória, o regulamento aplicável e as ordens processuais influenciam prazos, formato dos pareceres, produção documental, reuniões de experts e audiência. O perito deve conhecer:

  • idioma e moeda;
  • datas de corte;
  • regras de confidencialidade;
  • procedimento para documentos;
  • forma de apresentação dos experts;
  • limites dos pedidos;
  • padrão de atualização e juros;
  • eventual bifurcação entre responsabilidade e quantum.

Como construir o dossiê técnico?

  1. contratos, anexos e aditivos;
  2. linha do tempo dos eventos;
  3. comunicações relevantes;
  4. livros e extratos;
  5. relatórios operacionais;
  6. documentos de pagamentos;
  7. modelos financeiros;
  8. cálculos internos e da contraparte;
  9. documentos de mitigação;
  10. bases eletrônicas originais.

O dossiê deve incluir documentos desfavoráveis. O expert que conhece apenas a narrativa do cliente pode ser surpreendido no contraditório.

Quantificação do pedido

A memória precisa separar:

  • principal;
  • danos emergentes;
  • lucros cessantes;
  • custos de mitigação;
  • juros e atualização;
  • tributos;
  • pagamentos e compensações;
  • valor presente;
  • moeda e conversão;
  • cenários dependentes de decisão.

Cada rubrica deve ter nexo documental e evitar sobreposição. O mesmo fluxo não pode ser pedido como perda de receita e como perda de valor da empresa sem ajuste.

Como formular questões para o expert?

Os quesitos ou pontos de expertise devem ser compatíveis com as questões jurídicas. Exemplos:

  • qual foi a base efetivamente utilizada para o earn-out?
  • quais pagamentos foram apropriados?
  • qual margem seria obtida sem o evento?
  • quais custos foram evitados?
  • qual impacto do atraso sobre o fluxo?
  • quais premissas do valuation são suportadas?
  • qual valor resulta de cada interpretação contratual?

O expert demonstra o efeito técnico; o tribunal decide a interpretação.

Relatório independente e opinião adversarial

Mesmo contratado por uma parte, o expert deve manter independência intelectual. Isso exige:

  • explicitar instruções recebidas;
  • identificar documentos considerados;
  • declarar limitações;
  • não omitir resultado desfavorável;
  • distinguir fato, premissa e opinião;
  • apresentar sensibilidade;
  • corrigir erros descobertos;
  • usar linguagem técnica, não retórica.

Reunião de experts e joint statement

Algumas arbitragens preveem reunião dos experts para identificar pontos de acordo e desacordo. Uma preparação adequada exige matriz comparativa:

Tema Expert A Expert B Convergência Questão remanescente
Período 36 meses 24 meses Data inicial Data final jurídica
Margem 28% 18% Receita-base Custos dedutíveis
Desconto 12% 16% Fluxos Risco e taxa

Hot-tubbing e audiência

Na oitiva conjunta de experts, o profissional precisa explicar premissas e diferenças de forma clara, responder ao tribunal e confrontar o outro método. Planilhas complexas devem ser traduzidas em gráficos, pontes de valor e tabelas auditáveis.

Erros recorrentes

  • contratar expert após os pedidos;
  • não alinhar datas e moeda;
  • usar modelo sem arquivos-fonte;
  • ignorar dever de mitigação;
  • duplicar danos;
  • não testar sensibilidade;
  • misturar responsabilidade e quantificação;
  • apresentar relatório promocional;
  • não preparar resposta ao expert adverso;
  • não preservar documentos.

Perguntas frequentes

O expert deve ser advogado?

Não. Ele deve dominar a matéria técnica. A interpretação jurídica é tratada pelo tribunal e pelos advogados.

É possível apresentar cálculo por cenários?

Sim, quando cada cenário estiver ligado a premissa jurídica clara e não substituir a conclusão técnica principal.

O parecer prévio precisa ser o relatório final?

Não. O diagnóstico pode evoluir com a produção documental e as ordens processuais.

O expert pode alterar opinião?

Deve corrigir a opinião se novos documentos ou testes demonstrarem erro, explicando a alteração.

Fontes oficiais

Conteúdo informativo. A estratégia depende da convenção, do regulamento e das ordens processuais aplicáveis.

Este conteúdo se relaciona ao seu processo?

Uma análise técnica precisa considerar as decisões, datas, documentos e particularidades do caso concreto.

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