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Flávio promete R$ 900 bilhões em infraestrutura, mas não divide a conta

Capa: promessa de R$ 900 bilhões em infraestrutura e pergunta sobre as fontes do investimento.

A conta da eleição

Por Costa Nova Associados

Capa: promessa de R$ 900 bilhões em infraestrutura e pergunta sobre as fontes do investimento.

O programa de governo de Flávio Bolsonaro promete investir R$ 900 bilhões em quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias. O número equivale a uma média de R$ 225 bilhões por ano. A divisão é aritmética, não cronograma. O documento não informa quanto seria aplicado em cada ano, modal ou projeto.

A proposta está nas páginas 50 e 51 do programa oficial apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral. O texto também menciona a Ferrogrão, um trem de cargas entre Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina, o Trem do Nordeste, a conclusão da Transnordestina com ampliação para Paraíba e Rio Grande do Norte e corredores logísticos do Centro Oeste até os portos.

R$ 900 bilhões não significam R$ 900 bilhões do Orçamento

O próprio programa afirma que a estratégia se apoia na iniciativa privada. Cita concessões, parcerias público privadas, financiamento do BNDES e um fundo lastreado na securitização de ativos e imóveis da União. Portanto, tratar a meta inteira como despesa federal seria tecnicamente incorreto. O valor pode reunir capital privado, crédito, investimento de estatais, fundos e recursos orçamentários.

O problema é que as parcelas não foram apresentadas. Não se sabe quanto viria do Orçamento Geral da União, quanto seria financiamento reembolsável, quanto dependeria de leilões e quanto seria compromisso de concessionárias. Também não há estimativa de aporte público, subsídio de crédito, garantias, contraprestações de PPP ou valor dos ativos federais que sustentariam o fundo mencionado.

O PAC mostra como uma meta agregada precisa ser aberta

O Novo PAC não é equivalente à promessa de Flávio. Abrange setores, períodos e governos diferentes. Serve, porém, como referência de transparência. Em junho de 2026, a Casa Civil informava R$ 1,9 trilhão de investimento previsto, sendo R$ 1,3 trilhão entre 2023 e 2026. A composição publicada separava R$ 765 bilhões privados, R$ 408 bilhões de estatais, R$ 384 bilhões de financiamento, R$ 358 bilhões do Orçamento Geral da União e R$ 26 bilhões de fundos setoriais.

Essa abertura evita dois erros. O primeiro é chamar financiamento bancário de gasto público definitivo. O segundo é considerar como executado um investimento apenas previsto. Na mesma página, a Casa Civil separa dotação, empenho, pagamento e restos a pagar, além do estágio físico de cada empreendimento.

Existe capacidade de mobilização, mas não uma carteira custeada

O BNDES estimou, em fevereiro de 2026, investimento médio anual de R$ 757,8 bilhões no cenário base e R$ 838,5 bilhões no cenário otimista para 21 setores entre 2025 e 2029, a preços de 2025. A infraestrutura representava cerca de 42% do total projetado. O banco ressaltou que o ciclo dependeria de políticas públicas, marcos regulatórios, concessões e PPPs. Essas projeções são exploratórias e não constituem contratos já firmados.

Assim, a escala de R$ 900 bilhões em quatro anos não é economicamente inconcebível. Ela está dentro de um mercado nacional que já mobiliza centenas de bilhões de reais por ano. A dificuldade está em transformar a meta em carteira de projetos, com estudos, licenciamento, modelagem, leilões, garantias, financiamento, contratos e execução física.

O prazo de quatro anos é a parte mais exigente

Projetos ferroviários e hidroviários podem atravessar vários mandatos. O programa usa o verbo investir e fixa quatro anos, portanto a avaliação considera desembolso ou investimento efetivo durante o mandato, não apenas anúncio, estudo ou assinatura de protocolo. Sem marcos anuais e custo individual das obras, não é possível conferir se o total seria executado até 2030.

Para o usuário da infraestrutura, o benefício também não surge automaticamente. Redução de frete e preço depende de conclusão da obra, utilização da capacidade, tarifas, concorrência, combustível, integração entre modais e prazo de repasse. O investimento pode elevar produtividade, mas não autoriza prometer queda imediata na prateleira.

Veja o carrossel completo em PDF.

Fontes

Nota de execução

Execução em 4 anos: 🟡 amarelo 5/10. Há instrumentos legais e financeiros existentes, mas a entrega integral depende de transformar uma meta agregada em projetos contratados, financiados e executados. Avaliação editorial, não probabilidade estatística.

Nota metodológica compacta: viabilidade jurídica e legislativa 1 + financiamento 1 + capacidade administrativa 1 + condições técnicas e econômicas 1 + cronograma de quatro anos 1 = 5/10. Nota provisória, confiança média baixa. Faltam carteira custeada, divisão por fonte, marcos anuais e risco fiscal.

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