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Caiado mira 25% de investimento, mas o próprio programa afasta salto em um mandato

Carrossel A conta da eleição: Ronaldo Caiado, 25% do PIB em investimento

A conta da eleição

Por Costa Nova Associados

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Ronaldo Caiado colocou um número ambicioso no programa de governo: levar o investimento total do Brasil dos atuais cerca de 17% para uma direção próxima de 25% do Produto Interno Bruto. O número chama atenção, mas o próprio documento impõe uma ressalva decisiva. A proposta é progressiva e não pretende produzir um salto estatístico dentro de um único mandato.

O ponto de partida caiu para 16,1%

O dado mais recente do IBGE, divulgado em 1º de setembro, mostra taxa de investimento de 16,1% do PIB no segundo trimestre de 2026, a preços correntes. No mesmo trimestre de 2025, eram 16,6%. A Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 1,2% ante o primeiro trimestre, puxada por importações de bens de capital e desenvolvimento de software, mas o denominador também importa. Investimento e PIB se movem ao mesmo tempo.

O BNDES oferece outra leitura útil. No acumulado de quatro trimestres, a preços constantes de 2025, a relação ficou em 16,7%. É uma base menos sujeita ao ruído de um único trimestre. Comparar essa medida com a leitura trimestral de 16,1% sem explicar método produziria uma falsa divergência. São recortes diferentes.

O caminho até 25%

Tomando apenas a fotografia trimestral do IBGE, sair de 16,1% para 25% representa uma distância de 8,9 pontos percentuais. Em termos relativos, a razão investimento sobre PIB teria de crescer cerca de 55%. Este é cálculo próprio da Costa Nova, não uma projeção de resultado.

Também não se trata de somar 8,9% do PIB ao Orçamento da União. A Formação Bruta de Capital Fixo reúne máquinas, equipamentos, construção e ativos de propriedade intelectual adquiridos por empresas, famílias e governos. O programa atribui papel principal à iniciativa privada e prevê participação relevante do investimento público das três esferas.

Programa eleitoral, não meta anual

Nas páginas 14 e 15, o programa propõe reduzir o custo do capital produtivo, organizar uma carteira de projetos, concluir obras paralisadas, ampliar concessões e parcerias, proteger investimento no orçamento e melhorar a previsibilidade regulatória. Esses são canais coerentes com a intenção de mobilizar capital. Todavia, não existe no documento uma trajetória anual para a taxa de investimento, um volume de recursos públicos e privados ou uma lista nacional de projetos com prazo e financiamento.

A distinção temporal é indispensável. O plano afirma que a ambição é elevar progressivamente a taxa e que o objetivo não é produzir um surto estatístico dentro de um mandato. Portanto, dizer que Caiado prometeu atingir 25% em 2030 seria ampliar o compromisso além do texto. O que pode ser cobrado em quatro anos é a criação de uma trajetória verificável, com metas anuais, projetos contratados, capital mobilizado e investimento efetivamente incorporado às contas nacionais.

Da intenção à execução

Hoje, a medida está no programa eleitoral. Não é uma proposição protocolada para criar uma obrigação específica, nem uma norma vigente com meta de 25%. Parte dos instrumentos depende de atos administrativos e modelagem de concessões. Outra parte depende de orçamento, legislação, decisões de estados e municípios e, principalmente, de empresas que investem quando enxergam demanda, retorno e risco compatível.

Há fatores que podem acelerar ou frustrar o percurso. Juros reais menores, estabilidade fiscal, infraestrutura preparada e segurança contratual tendem a favorecer projetos. Crescimento fraco, incerteza regulatória, baixa poupança doméstica, gargalos de licenciamento e choques externos podem reduzir o investimento mesmo com uma boa carteira pública. A Presidência influencia essas condições, mas não controla todas elas.

A proposta acerta ao tratar 25% como direção de longo prazo e não como um número instantâneo. A lacuna está na ausência do primeiro degrau mensurável. Sem trajetória anual, valor de capital a mobilizar e projetos prioritários, o eleitor ainda não consegue distinguir uma estratégia de crescimento de uma ambição macroeconômica.

Fontes

Execução em 4 anos: 🟡 amarelo 6/10, é plausível iniciar carteira, concessões e reformas, mas a trajetória não traz metas anuais nem volume de capital. Atingir 25% não foi prometido para 2030. Avaliação editorial, não probabilidade estatística.

Nota metodológica: viabilidade jurídica e legislativa 2, financiamento 1, capacidade administrativa 1, condições técnicas e econômicas 1, cronograma de quatro anos 1. Nota provisória, confiança média. Avalia a implementação da trajetória em quatro anos, preservando o caráter progressivo e de longo prazo do objetivo de 25%.

Data de corte: 12 de setembro de 2026.

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