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Lula 3 acumula 17,9% de inflação, mas preço menor é outra conta

Capa do carrossel A Conta da Eleição com Lula 3 e inflação acumulada de 17,9%

A CONTA DA ELEIÇÃO

Por Costa Nova Associados

Veja o carrossel completo em PDF.

O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva chega à reta final da eleição com 17,9% de inflação acumulada entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. No mesmo trecho do calendário, janeiro do primeiro ano até agosto do quarto, o IPCA avançou 19,0% no segundo mandato de Lula e 25,3% no governo Jair Bolsonaro. O resultado atual é o menor nesse recorte eleitoral desde o início do Plano Real, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo em 11 de setembro.

A comparação usa períodos iguais

O ponto forte do comparativo é a simetria. Todos os percentuais terminam em agosto do quarto ano, sem conceder a um governo dois meses adicionais nem comparar um mandato completo com outro ainda em curso. A base é o IPCA mensal da Tabela 1737 do SIDRA, do IBGE. As taxas mensais são acumuladas por composição, pois inflação de meses sucessivos incide sobre níveis de preços já alterados.

Isso evita um erro frequente. Somar percentuais mensais de forma simples produz aproximação, não o acumulado correto. O procedimento tecnicamente adequado multiplica os fatores mensais e retira a unidade ao final. A comparação publicada registra 17,9% entre 2023 e 2026, 19,0% entre 2007 e 2010 e 25,3% entre 2019 e 2022.

O que 17,9% representa no bolso

Um conjunto de bens que custasse R$ 100,00 em janeiro de 2023 e acompanhasse exatamente o índice geral custaria R$ 117,90 em agosto de 2026. Este é um cálculo ilustrativo, obtido pela aplicação direta de 17,9% sobre a base inicial. No intervalo de Lula 2, a mesma ilustração chegaria a R$ 119,00. No período de Bolsonaro, a R$ 125,30.

A conta não reproduz a cesta de cada família. O IPCA representa o consumo de famílias com rendimentos de um a quarenta salários mínimos nas áreas cobertas pelo sistema. Alimentação, aluguel, energia, transporte e serviços pesam de maneira diferente em cada orçamento doméstico. Por isso, duas famílias podem perceber pressões distintas mesmo diante do mesmo índice geral.

Inflação menor não devolve o preço anterior

O resultado de 17,9% mede quanto o nível médio avançou no período. Ele não informa que os preços ficaram baixos e tampouco significa que retornaram ao início de 2023. Quando a inflação desacelera, os preços podem continuar subindo, apenas em velocidade menor. Mesmo uma deflação mensal reduz somente uma parte do aumento acumulado.

Em agosto de 2026, o IPCA caiu 0,32%, conforme o IBGE. A energia elétrica residencial recuou 7,63% com o bônus de Itaipu e retirou 0,33 ponto percentual do índice mensal. O próprio desenho do benefício torna esse alívio temporário. Portanto, agosto ajudou o acumulado, mas não autoriza projetar deflação permanente nem redução estrutural da tarifa.

Resultado econômico não tem autoria exclusiva

Como Lula disputa a reeleição, a campanha pode apresentar o número como parte do balanço do governo. O dado é verdadeiro no recorte adotado. A atribuição integral ao presidente, porém, não decorre da série estatística.

A inflação resulta de vários canais. Política fiscal, tributos, regulação e preços administrados passam pelo Executivo e pelo Congresso. Juros e condições monetárias são conduzidos pelo Banco Central. Safras, clima, câmbio, petróleo e cadeias internacionais também alteram custos e oferta. Durante esses quatro anos, alguns fatores puxaram o índice para baixo e outros pressionaram na direção oposta.

Assim, o comparativo permite uma conclusão delimitada. O IPCA acumulado no Lula 3 foi menor que nos recortes equivalentes de Lula 2 e Bolsonaro. Essa diferença documenta um resultado observado, não prova que uma única decisão política o produziu. Para avaliar a conta eleitoral, é preciso conservar três perguntas separadas: qual foi a taxa acumulada, quanto os preços efetivamente subiram e quais mecanismos explicam cada parcela dessa trajetória.

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