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Dividendos preferenciais no numerador do resultado básico por ação

Reconstrua o numerador do resultado por ação com dividendos do período e pagamentos antigos separados.

O caixa pago aos acionistas não é necessariamente o ajuste do lucro usado no resultado básico por ação. Este laboratório separa dividendos cumulativos do período, pagamentos de anos anteriores e remuneração que já entrou como despesa.

Lucro fornecido e instrumentos classificados

A companhia fictícia tem lucro de R$ 180.000 atribuível à controladora, já excluídas participações de não controladores e considerados os tributos. Não há operação descontinuada. O valor já contém uma despesa de R$ 10.000 referente a instrumentos preferenciais classificados como passivo financeiro.

Outras duas classes preferenciais são patrimoniais, não participantes e não conversíveis. A classe C tem dividendo cumulativo do período de R$ 12.000, ainda não declarado. A classe N tem dividendo não cumulativo de R$ 8.000, declarado para o período e pago. Também foram pagos R$ 5.000 de dividendos cumulativos relativos a anos anteriores. Os valores informados já são líquidos de eventual efeito tributário pertinente.

A classificação contratual dos instrumentos é premissa confirmada, não conclusão baseada no nome da ação. Há 100.000 ações ordinárias em circulação durante todo o ano, sem tesouraria, emissão, opções ou outro instrumento potencial. O exercício calcula somente o resultado básico, não dividendos devidos ou lucro diluído.

Quais valores entram no ajuste

Item Valor Dedução adicional do lucro de 180.000
Preferencial patrimonial cumulativa do período 12.000 12.000, mesmo sem declaração
Preferencial patrimonial não cumulativa declarada do período 8.000 8.000
Dividendo cumulativo de período anterior pago agora 5.000 Zero
Remuneração de instrumento passivo já registrada como despesa 10.000 Zero

O numerador é R$ 160.000, obtido de R$ 180.000 menos R$ 12.000 menos R$ 8.000. Dividindo pelas 100.000 ações ordinárias, o resultado básico é R$ 1,60 por ação.

Três contrastes reproduzíveis

Deduzir somente os dividendos patrimoniais pagos no ano, R$ 8.000 e R$ 5.000, produziria numerador de R$ 167.000 e R$ 1,67 por ação. Esse caminho ignora R$ 12.000 do período e inclui R$ 5.000 de outro exercício.

Deduzir corretamente os R$ 20.000 e acrescentar os R$ 5.000 antigos reduziria o indicador para R$ 1,55. Deduzir também os R$ 10.000 que já estão na despesa produziria R$ 1,50. Esse último caminho conta duas vezes a mesma remuneração do passivo.

Os quatro CSVs separam lucro, classes, deduções e contrastes; o verificador recompõe o numerador antes de dividir. Os itens 12 a 14 do CPC 41 são a referência. A atuação do perito contábil exige conferir termos das classes, competência dos dividendos, declaração e razão das despesas. Igualdade entre pagamento e dividendo do período não deve ser presumida.

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