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Metas fiscais de Lula e Flávio têm ritmos diferentes, mas a conta segue incompleta

Carrossel comparando as metas fiscais atribuídas às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, tela 1 de 7

A conta da eleição

Por Costa Nova Associados

Data de corte: 25 de setembro de 2026, às 9h30, horário de Brasília.

As equipes de Lula e Flávio Bolsonaro passaram a associar números às suas promessas de ajuste fiscal, mas os prazos são diferentes e as medidas continuam incompletas. Segundo reportagem da Reuters publicada pelo UOL em 24 de setembro, o campo de Lula trabalha com melhora de aproximadamente 1,7 ponto percentual do PIB até 2030. A equipe de Flávio indica ajuste de cerca de 1,5 ponto do PIB nos primeiros 18 meses de governo.

Os totais parecem próximos. O calendário mostra uma diferença maior. Em uma divisão apenas linear, usada para tornar os períodos comparáveis, a trajetória atribuída a Lula equivale a 0,425 ponto do PIB por ano. A de Flávio equivale a 1 ponto por ano. O segundo ritmo é 2,35 vezes o primeiro. Esse cálculo não é cronograma de nenhuma campanha. É uma normalização editorial, pois o resultado fiscal raramente avança em parcelas iguais.

O que foi anunciado e o que está no TSE

A reportagem da Reuters informa que a estratégia ligada a Lula parte de déficit primário projetado em 0,4% do PIB em 2026 e mira superávit efetivo de 1,3% em 2030. A diferença entre os extremos é de 1,7 ponto do PIB. O caminho relatado inclui controle de despesas obrigatórias, revisão de pisos, fusão de programas, contenção do BPC e nova redução de benefícios tributários, mas a campanha ainda não escolheu ou publicou o conjunto final.

O programa oficial de Lula no TSE, na página 48, promete manter o arcabouço fiscal e afirma que o resultado virá do crescimento, do controle do gasto primário, da qualidade da despesa, da justiça tributária e do combate a privilégios. O documento não registra a meta de 1,7 ponto, o superávit de 1,3% em 2030 ou uma tabela anual de receitas e despesas.

Para Flávio, a Reuters relata ajuste de 1,5 ponto do PIB em 18 meses e a intenção de aprovar um novo arcabouço por proposta de emenda à Constituição. O programa oficial no TSE, na página 70, promete reformular as regras fiscais, gerar superávits primários, limitar crédito subsidiado e controlar gastos discricionários dos três Poderes. Entretanto, não aparecem no documento os 18 meses, o ajuste de 1,5 ponto ou o patamar de 65% do PIB citado fora do programa como possível gatilho da dívida.

A meta não identifica quem paga a conta

Resultado primário é a diferença entre receitas e despesas antes dos juros da dívida. Uma melhora de 1,5 ou 1,7 ponto do PIB pode vir de aumento de arrecadação, redução de despesas, crescimento do denominador, revisão de benefícios fiscais ou combinação desses fatores. Sem a composição, duas metas numericamente próximas podem produzir efeitos econômicos e distributivos muito diferentes.

No caso de Lula, a vantagem operacional é a continuidade de uma regra já vigente. O obstáculo está na conciliação entre expansão de políticas públicas, pisos constitucionais, benefícios vinculados ao salário mínimo e uma trajetória de superávit. O programa indica princípios, mas ainda não apresenta o quanto cada medida entregaria.

No caso de Flávio, o prazo de 18 meses exige decisões rápidas e possível alteração constitucional. O programa menciona corte de burocracia, privatizações, reforma administrativa e revisão das regras fiscais. A reportagem acrescenta reversão de aumentos tributários, o que reduziria receitas e ampliaria a necessidade de cortes ou compensações. Também não há lista fechada de incentivos tributários a retirar, despesas a limitar ou ativos a vender.

Comparação possível, conclusão ainda provisória

A nova página de programas presidenciais do TSE, lançada em 24 de setembro, facilita a separação entre proposta formal e informação de bastidor. Neste caso, os números comparados vieram da Reuters. Os programas oficiais confirmam a direção fiscal de cada candidatura, mas não incorporam as metas numéricas e os prazos relatados.

Portanto, não se pode chamar nenhuma das duas trajetórias de plano executável apenas com os percentuais divulgados. Lula apresenta ritmo menor e continuidade jurídica, mas ainda sem ponte quantitativa entre medidas e meta. Flávio apresenta velocidade maior, porém depende de nova regra, negociação legislativa e um pacote de ajuste que ainda não foi discriminado. O comparativo mede clareza e condições de implementação, não preferência eleitoral nem mérito ideológico.

Veja o carrossel completo em PDF.

Fontes

Notas de execução

Lula, ajuste de 1,7 ponto do PIB até 2030. Execução em 4 anos: 🟡 amarelo 6/10, há regra fiscal e capacidade administrativa existentes, mas faltam medidas quantificadas e trajetória anual no programa. Avaliação editorial, não probabilidade estatística.

Nota metodológica: viabilidade jurídica e legislativa 2, financiamento 1, capacidade administrativa 1, condições técnicas e econômicas 1, cronograma de quatro anos 1. Nota provisória, confiança baixa.

Flávio Bolsonaro, ajuste de 1,5 ponto do PIB em 18 meses. Execução em 4 anos: 🟠 laranja 3/10, o prazo é curto e o programa não detalha a nova regra, o custeio ou as medidas suficientes para entregar o ajuste. Avaliação editorial, não probabilidade estatística.

Nota metodológica: viabilidade jurídica e legislativa 1, financiamento 0, capacidade administrativa 1, condições técnicas e econômicas 1, cronograma de quatro anos 0. Nota provisória, confiança baixa. O prazo original de 18 meses foi preservado, sem reinterpretá-lo como prazo de quatro anos.

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