A conta da eleição
Por Costa Nova Associados
O Tribunal Superior Eleitoral abriu um novo caminho para consultar os programas presidenciais. A página lançada em 24 de setembro organiza o conteúdo registrado pelas chapas em oito macrotemas e leva o leitor às páginas correspondentes do documento original. No recorte disponível às 6h34 de 26 de setembro, a tabela do primeiro turno reunia 13 candidaturas.
A novidade melhora a navegação. Ela não transforma, porém, o número de itens exibidos em medida de quantidade, qualidade ou viabilidade das propostas. Essa diferença é central para comparar campanhas sem premiar apenas o programa mais longo ou o índice mais fragmentado.
O que foi contado
O levantamento contou cada item mostrado pelo TSE no macrotema Economia, Trabalho e Responsabilidade Fiscal como um verbete. Não foram somadas as páginas citadas dentro de cada item. Esse cuidado evita tratar repetição de referências como propostas diferentes.
O resultado foi de 120 verbetes. A mediana ficou em oito itens por candidatura. A faixa foi de cinco a dezessete. São estatísticas do índice do TSE, não um ranking editorial.
| Candidatura | Verbetes no eixo econômico |
|---|---|
| Clariana Barão | 5 |
| Edmilson Costa | 6 |
| Augusto Cury | 10 |
| Flávio Bolsonaro | 17 |
| Hertz Dias | 6 |
| Leonardo Avalanche | 8 |
| Lula | 11 |
| Renan Santos | 6 |
| Ronaldo Caiado | 12 |
| Rui Costa Pimenta | 15 |
| Samara Martins | 10 |
| Wilson Grassi | 8 |
| Romeu Zema | 6 |
A variação reflete também escolhas de indexação. Um verbete de Lula sobre infraestrutura e logística aponta para dezenas de páginas. Um item de Clariana Barão sobre infraestrutura aponta para uma página. Se o critério fosse contar referências, o desenho do documento pesaria mais que o conteúdo. Por isso, páginas não foram usadas como unidade de proposta.
O índice é mapa, não placar
A própria apresentação do TSE informa que os dados foram extraídos dos programas apresentados pelas chapas conforme o artigo 11, § 1º, IX, da Lei nº 9.504/1997. Também informa que os partidos podem apontar inconsistências. Portanto, o índice é uma camada oficial de organização, sujeita a aperfeiçoamentos, e deve ser lido com data de corte.
O primeiro passo é abrir o verbete. O segundo é ir à página citada e ler o trecho no contexto. Depois, é necessário separar cinco estágios que têm efeitos jurídicos e econômicos distintos: programa eleitoral, anúncio de campanha, proposição protocolada, norma vigente e execução comprovada.
Um item pode registrar uma intenção ampla, como simplificar tributos. Outro pode trazer meta, público, prazo e instrumento. A contagem atribui uma unidade a cada um, mas não responde se há estimativa de custo, fonte de custeio, necessidade de aprovação no Congresso, capacidade administrativa ou cronograma compatível com quatro anos.
O ganho prático
A nova página reduz o tempo de procura e torna a checagem mais acessível. Para o eleitor, isso permite localizar o tema e chegar ao documento original. Para a análise econômica, o ganho está em construir um corpus comum, com os mesmos macrotemas e a mesma regra de contagem.
O limite continua claro. Volume de texto não fecha orçamento. Número de verbetes não revela impacto fiscal. Página citada não comprova execução. O índice ajuda a fazer a pergunta certa, mas a conta só aparece quando a proposta apresenta valor, base de cálculo, financiamento, instrumento legal e prazo.
Veja o carrossel completo em PDF.
Fontes
- Planos de governo dos candidatos ao cargo de Presidente da República, Eleições 2026, Tribunal Superior Eleitoral, consulta em 26 de setembro de 2026. Tabela do primeiro turno e páginas individuais por assunto.
- Nova página no Portal do TSE reúne planos de governo de presidenciáveis, Tribunal Superior Eleitoral, 24 de setembro de 2026.
- Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, Presidência da República, artigo 11, § 1º, IX.
Metodologia: cálculo próprio sobre os verbetes exibidos no macrotema Economia, Trabalho e Responsabilidade Fiscal. Cada item do índice vale uma unidade. Páginas, links e repetições de referência dentro de um mesmo item não foram contados como propostas. Data de corte: 26 de setembro de 2026, às 6h34, Brasília.

