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TSE indexa 120 verbetes de economia, mas o número não mede propostas

Capa do carrossel: 120 verbetes de economia em 13 candidaturas, com alerta de que o índice do TSE não mede qualidade, custo ou viabilidade.

A conta da eleição

Por Costa Nova Associados

O Tribunal Superior Eleitoral abriu um novo caminho para consultar os programas presidenciais. A página lançada em 24 de setembro organiza o conteúdo registrado pelas chapas em oito macrotemas e leva o leitor às páginas correspondentes do documento original. No recorte disponível às 6h34 de 26 de setembro, a tabela do primeiro turno reunia 13 candidaturas.

A novidade melhora a navegação. Ela não transforma, porém, o número de itens exibidos em medida de quantidade, qualidade ou viabilidade das propostas. Essa diferença é central para comparar campanhas sem premiar apenas o programa mais longo ou o índice mais fragmentado.

O que foi contado

O levantamento contou cada item mostrado pelo TSE no macrotema Economia, Trabalho e Responsabilidade Fiscal como um verbete. Não foram somadas as páginas citadas dentro de cada item. Esse cuidado evita tratar repetição de referências como propostas diferentes.

O resultado foi de 120 verbetes. A mediana ficou em oito itens por candidatura. A faixa foi de cinco a dezessete. São estatísticas do índice do TSE, não um ranking editorial.

CandidaturaVerbetes no eixo econômico
Clariana Barão5
Edmilson Costa6
Augusto Cury10
Flávio Bolsonaro17
Hertz Dias6
Leonardo Avalanche8
Lula11
Renan Santos6
Ronaldo Caiado12
Rui Costa Pimenta15
Samara Martins10
Wilson Grassi8
Romeu Zema6

A variação reflete também escolhas de indexação. Um verbete de Lula sobre infraestrutura e logística aponta para dezenas de páginas. Um item de Clariana Barão sobre infraestrutura aponta para uma página. Se o critério fosse contar referências, o desenho do documento pesaria mais que o conteúdo. Por isso, páginas não foram usadas como unidade de proposta.

O índice é mapa, não placar

A própria apresentação do TSE informa que os dados foram extraídos dos programas apresentados pelas chapas conforme o artigo 11, § 1º, IX, da Lei nº 9.504/1997. Também informa que os partidos podem apontar inconsistências. Portanto, o índice é uma camada oficial de organização, sujeita a aperfeiçoamentos, e deve ser lido com data de corte.

O primeiro passo é abrir o verbete. O segundo é ir à página citada e ler o trecho no contexto. Depois, é necessário separar cinco estágios que têm efeitos jurídicos e econômicos distintos: programa eleitoral, anúncio de campanha, proposição protocolada, norma vigente e execução comprovada.

Um item pode registrar uma intenção ampla, como simplificar tributos. Outro pode trazer meta, público, prazo e instrumento. A contagem atribui uma unidade a cada um, mas não responde se há estimativa de custo, fonte de custeio, necessidade de aprovação no Congresso, capacidade administrativa ou cronograma compatível com quatro anos.

O ganho prático

A nova página reduz o tempo de procura e torna a checagem mais acessível. Para o eleitor, isso permite localizar o tema e chegar ao documento original. Para a análise econômica, o ganho está em construir um corpus comum, com os mesmos macrotemas e a mesma regra de contagem.

O limite continua claro. Volume de texto não fecha orçamento. Número de verbetes não revela impacto fiscal. Página citada não comprova execução. O índice ajuda a fazer a pergunta certa, mas a conta só aparece quando a proposta apresenta valor, base de cálculo, financiamento, instrumento legal e prazo.

Veja o carrossel completo em PDF.

Fontes

Metodologia: cálculo próprio sobre os verbetes exibidos no macrotema Economia, Trabalho e Responsabilidade Fiscal. Cada item do índice vale uma unidade. Páginas, links e repetições de referência dentro de um mesmo item não foram contados como propostas. Data de corte: 26 de setembro de 2026, às 6h34, Brasília.

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