A conta da eleição
Por Costa Nova Associados

Impulsionamento pago é uma linha visível da estratégia eleitoral, mas o valor em reais e o peso dessa despesa dentro de cada campanha respondem a perguntas diferentes. Na base de despesas contratadas do Tribunal Superior Eleitoral, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com os maiores valores absolutos destinados à categoria oficial “Despesa com Impulsionamento de Conteúdos”. Quando a conta é dividida pelo total contratado por cada nome, Augusto Cury e Wilson Grassi passam à frente.
O retrato usa o arquivo nacional de despesas contratadas das candidaturas de 2026, gerado pelo TSE em 1º de outubro de 2026, às 11h23min29s. A unidade é o real nominal. A base presidencial contém 13 nomes e 1.808 lançamentos. O total contratado soma R$ 158,55 milhões. A categoria de impulsionamento reúne R$ 6,46 milhões, ou 4,1% do conjunto.
O mesmo dado, duas leituras
Em valor absoluto, Lula declarou R$ 2,69 milhões contratados para impulsionamento. Flávio Bolsonaro aparece com R$ 1,90 milhão, Ronaldo Caiado com R$ 546,7 mil e Wilson Grassi com R$ 425 mil. Essa comparação mostra escala financeira, não prioridade relativa.
A prioridade relativa surge ao dividir o gasto com impulsionamento pelo total de despesas contratadas de cada nome. Augusto Cury destinou R$ 320 mil de um total de R$ 545,49 mil, participação de 58,7%. Wilson Grassi chegou a 44,7%, com R$ 425 mil em uma base de R$ 950,40 mil. Clariana Barão marcou 17,8% e Renan Santos, 14,8%.
Nas campanhas maiores, a mesma categoria ocupa uma fatia menor. Romeu Zema registrou 4,3%, Lula 4,1%, Flávio Bolsonaro 3,2% e Ronaldo Caiado 2,2%. Isso não torna o impulsionamento menos relevante. Mostra que campanhas com bases financeiras amplas distribuem recursos por mais rubricas, enquanto estruturas menores podem concentrar grande parte do orçamento declarado numa única frente.
| Nome na base | Impulsionamento | Total contratado | Participação |
|---|---|---|---|
| Augusto Cury | R$ 320 mil | R$ 545,49 mil | 58,7% |
| Wilson Grassi | R$ 425 mil | R$ 950,40 mil | 44,7% |
| Clariana Barão | R$ 178 mil | R$ 998,57 mil | 17,8% |
| Renan Santos | R$ 190 mil | R$ 1,29 milhão | 14,8% |
| Romeu Zema | R$ 185 mil | R$ 4,33 milhões | 4,3% |
| Lula | R$ 2,69 milhões | R$ 65,69 milhões | 4,1% |
| Flávio Bolsonaro | R$ 1,90 milhão | R$ 58,48 milhões | 3,2% |
| Ronaldo Caiado | R$ 546,7 mil | R$ 24,54 milhões | 2,2% |
| Hertz Dias | R$ 18 mil | R$ 1,05 milhão | 1,7% |
| Samara | R$ 3 mil | R$ 651,45 mil | 0,5% |
| Edmilson Costa | R$ 0 | R$ 23,62 mil | 0,0% |
| Rui Costa Pimenta | R$ 0 | R$ 250,49 | 0,0% |
| Pablo Marçal | R$ 0 | R$ 0 | Não calculável |
O que a planilha prova, e o que não prova
O cálculo próprio é simples: valor contratado na categoria de impulsionamento, dividido pelo total contratado por nome, multiplicado por 100. A comparação usa a mesma categoria, a mesma data de corte e a mesma base nacional. Não foram usadas contagens de notícias, páginas ou menções.
Há três limites decisivos. Primeiro, despesa contratada não significa pagamento concluído. Segundo, o arquivo é dinâmico e pode receber retificações. Terceiro, o valor declarado não informa, por si só, alcance, público atingido, qualidade criativa, conversão em voto ou eficiência. A prestação de contas permite acompanhar a composição financeira da campanha, não medir desempenho eleitoral.
O TSE informa que receitas e despesas devem ser registradas na prestação de contas e disponibiliza os dados detalhados ao público. O DivulgaCandContas também recebe atualizações frequentes. Por isso, este quadro é uma fotografia datada, não um resultado final.
Leitura editorial: valor absoluto e participação percentual devem caminhar juntos. Comparar apenas reais favorece campanhas maiores. Comparar apenas percentuais amplifica bases pequenas. A leitura responsável mostra os dois, identifica a base de cálculo e evita transformar uma escolha de alocação em prova de sucesso.
Veja o carrossel completo em PDF.
Fontes
- Prestação de Contas Eleitorais 2026, Tribunal Superior Eleitoral, base consultada em 1º de outubro de 2026.
- Arquivo nacional de prestação de contas de candidatos 2026, Tribunal Superior Eleitoral, geração identificada no arquivo em 1º de outubro de 2026, às 11h23min29s.
- Eleições 2026: DivulgaCandContas mostra dados sobre candidaturas e gastos de campanha, Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, 14 de agosto de 2026.
- TSE disponibiliza dados da prestação de contas parcial das campanhas eleitorais, Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, 15 de setembro de 2026.
- TSE divulga limites de gastos de campanha para as Eleições Gerais de 2026, Tribunal Superior Eleitoral, 21 de julho de 2026.
Esta edição analisa despesas declaradas. Não avalia promessa presidencial e, por isso, não recebe nota de execução.

