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Lula ultrapassa Flávio em receitas declaradas, mas o dinheiro público explica a maior parte

A liderança nas receitas mudou, capa da série A conta da eleição.

A CONTA DA ELEIÇÃO

Por Costa Nova Associados

A liderança nas receitas mudou, capa da série A conta da eleição.

O retrato financeiro da campanha presidencial mudou. Na extração mais recente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva aparece com R$ 66,86 milhões em receitas declaradas, enquanto Flávio Bolsonaro soma R$ 56,89 milhões. A diferença é de R$ 9,97 milhões, equivalente a 17,5% do total registrado por Flávio.

O resultado inverte o recorte publicado pela Folha de S.Paulo em 17 de setembro, atualizado no dia seguinte. Naquela consulta, Flávio tinha R$ 48,4 milhões e Lula, R$ 41,1 milhões. A mudança não deve ser lida como reação eleitoral automática. A base recebe novos registros e pode incorporar receitas com data anterior ao momento em que foram publicadas.

O mesmo recorte para seis candidaturas

Apuramos os registros classificados pelo TSE para o cargo de presidente no arquivo nacional de receitas. A base foi gerada em 24 de setembro de 2026, às 4h05, e inclui valores financeiros e estimáveis em dinheiro. Para manter a comparação equivalente ao levantamento anterior, consideramos Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos.

CandidaturaReceitas declaradasFEFC e Fundo PartidárioProporção pública
LulaR$ 66,86 milhõesR$ 65,15 milhões97,4%
Flávio BolsonaroR$ 56,89 milhõesR$ 49,35 milhões86,7%
Ronaldo CaiadoR$ 9,86 milhõesR$ 1,50 milhão15,2%
Romeu ZemaR$ 5,30 milhõesR$ 4,80 milhões90,6%
Augusto CuryR$ 3,12 milhõesR$ 2,35 milhões75,4%
Renan SantosR$ 2,52 milhõesR$ 0,000,0%

Os seis totalizam R$ 144,54 milhões nesta extração. Lula concentra 46,3% e Flávio, 39,4% desse recorte. Esses percentuais descrevem apenas a distribuição das receitas registradas entre as seis campanhas. Não medem intenção de voto, qualidade do programa, capacidade administrativa ou apoio social.

O dinheiro público domina as duas maiores contas

Para identificar recursos públicos, somamos os valores classificados pelo próprio arquivo nas fontes Fundo Especial e Fundo Partidário. Na campanha de Lula, são R$ 65,00 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC, e R$ 150 mil do Fundo Partidário. O conjunto corresponde a 97,4% das receitas declaradas.

Na campanha de Flávio, o arquivo registra R$ 47,00 milhões do FEFC e R$ 2,35 milhões do Fundo Partidário. A soma representa 86,7% do total. A comparação mostra que a diferença bruta entre as duas campanhas decorre principalmente da distribuição partidária de recursos públicos, não de uma vantagem equivalente em doações privadas.

O TSE informa que o FEFC de 2026 totaliza R$ 4,961 bilhões. O PL recebeu R$ 881,66 milhões e o PT, R$ 615,37 milhões. Os partidos definem critérios internos para distribuir suas cotas entre as candidaturas, observadas as regras eleitorais e as destinações obrigatórias.

A data da receita não é a data da publicação

A base atual registra, por exemplo, R$ 15 milhões do FEFC para Lula com data de 16 de setembro e mais R$ 10 milhões com data de 23 de setembro. O valor de 16 de setembro não aparecia integralmente no retrato jornalístico divulgado no dia 17. Isso evidencia uma defasagem entre a ocorrência informada no registro e sua incorporação à consulta pública.

Portanto, não é correto atribuir a inversão a um acontecimento político isolado entre as duas consultas. Parte da mudança pode refletir aportes efetivamente posteriores, parte pode resultar do tempo de transmissão, processamento ou atualização das informações. O arquivo permite medir o estoque declarado na data de geração, mas não demonstra sozinho a causa política de cada entrada.

O que os dados permitem concluir

Lula lidera as receitas presidenciais declaradas na extração de 24 de setembro. Os fundos públicos respondem pela maior parte das duas maiores contas, com peso proporcional superior na campanha de Lula. O retrato pode mudar novamente até a prestação final, cujo prazo informado pelo TSE termina em 14 de novembro.

Sem nota de execução. Esta edição examina receitas de campanha já declaradas, não uma promessa presidencial a ser implementada em quatro anos.

Fontes e método

  • Prestação de Contas Eleitorais 2026, Tribunal Superior Eleitoral, arquivo nacional de receitas de candidaturas, geração em 24 de setembro de 2026, às 4h05. Página do conjunto. Arquivo direto.
  • “Campanha de Flávio Bolsonaro mantém liderança em doações eleitorais e recebe 17% mais que Lula”, Folha de S.Paulo, 17 de setembro de 2026, atualização em 18 de setembro de 2026. Link direto.
  • Fundo Especial de Financiamento de Campanha, Eleições 2026, Tribunal Superior Eleitoral, consulta em 24 de setembro de 2026. Link direto.

Método: soma de VR_RECEITA por candidatura no arquivo receitas_candidatos_2026_BRASIL.csv. Proporção pública igual à soma das fontes FUNDO ESPECIAL e FUNDO PARTIDARIO dividida pela receita total. Valores apresentados em reais nominais, sem correção monetária.

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